Conferência Internacional sobre transição energética
A 1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis teve início nesta sexta-feira, 24, na cidade de Santa Marta, Colômbia. O evento reúne representantes de mais de 60 países com o objetivo de reduzir a produção, consumo e a dependência do petróleo. Os debates desta conferência visam construir um Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis, um documento que será proposto pela presidência brasileira na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
Antes de participar dos debates, a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, deu uma entrevista exclusiva à Agência Brasil, na qual abordou a importância da conferência e a elaboração do documento. Ana Toni destacou que a guerra no Irã e a oscilação dos preços do petróleo acentuaram a necessidade de se repensar a dependência de combustíveis fósseis, ressaltando a relevância da transição energética.
“Não esperávamos que isso acontecesse, mas, indiscutivelmente, nosso Mapa do Caminho agora serve como uma plataforma para debater e revisar a segurança energética e econômica, além da dependência global que temos em relação aos combustíveis fósseis”, afirmou Toni.
O Papel da COP30 nos Debates
Leia também: André Corrêa do Lago: Crise Geopolítica e a Nova Rota da Transição Energética Global
Leia também: Pós-COP30: Transformando Promessas Climáticas em Estratégias Reais
Questionada sobre a participação da presidência da COP30 na Conferência de Santa Marta, Ana Toni enfatizou que a intenção é ouvir as demandas de diversos grupos. “Estamos lá muito mais para ouvir do que para falar. Nossa expectativa é trazer os anseios e discussões de Santa Marta para o nosso Mapa do Caminho”, disse. Ela ressaltou a importância de escutar a opinião da sociedade civil, dos grupos indígenas e dos governos presentes.
Ao explicar como a conferência pode contribuir para a construção do Mapa do Caminho, Toni disse que a decisão de transitar para longe dos combustíveis fósseis foi um consenso já alcançado na COP28, realizada em Dubai. “Agora precisamos avançar na implementação. Precisamos definir quais serão os próximos passos e ouvir as sugestões da sociedade é crucial”, afirmou.
Importância da Participação Global
A participação de mais de 60 países no evento é considerada significativa, uma vez que a maioria da população mundial vive em nações que dependem de combustíveis fósseis, conforme apontou Ana Toni. “Três em cada quatro pessoas no mundo vivem em países que importam combustível fóssil, o que torna a questão da dependência, tanto para países produtores quanto consumidores, um ponto central na discussão”, destacou.
Leia também: COP30: Avanços e Desafios na Implementação de Decisões para Comunidades Tradicionais
Leia também: Conquistas da COP30: Governo e Sociedade Civil Avaliam Avanços para Povos Tradicionais
Toni citou o exemplo da Etiópia, que decidiu não importar mais veículos a combustão, realizando, assim, uma mudança em sua postura em relação ao consumo de combustíveis fósseis. “É essencial refletirmos sobre nossa dependência econômica, que vai além da energia”, completou.
Desafios na Construção do Mapa do Caminho
A diretora-executiva também falou sobre os desafios enfrentados no processo de construção do Mapa do Caminho, ressaltando que a quantidade de informações recebidas é imensa e organizar isso de forma a priorizar recomendações será uma tarefa complexa. “Precisamos considerar as circunstâncias únicas de cada país ao formular as orientações”, explicou.
A guerra no Irã, que envolve Estados Unidos e Israel, acentua a urgência da transição energética, segundo Toni. “A situação atual demonstra como é crucial deixarmos para trás a dependência de combustíveis fósseis, não apenas por questões climáticas, mas também por razões econômicas e de segurança”, observou.
Estrutura do Mapa do Caminho
A estrutura do Mapa do Caminho já está sendo delineada, com propostas para organizá-lo em capítulos. O primeiro capítulo abordará os riscos associados à falta de transição, enquanto o segundo contemplará a perspectiva de produtores e consumidores de combustíveis fósseis. O terceiro capítulo focará na dependência econômica, destacando que essa realidade é diferente para cada país.
Finalmente, o último capítulo trará recomendações globais, não apenas para a próxima COP31, mas para o futuro das políticas energéticas. “A transição já começou, mas o processo é desigual, com um avanço em energias renováveis e o outro em combustíveis fósseis. Precisamos acelerar a saída dos combustíveis fósseis e assegurar que essa mudança seja justa”, concluiu Ana Toni.
