Brasil na COP31: tecnologia e desafios da eletrificação do transporte
A Eletra, fabricante brasileira de veículos elétricos, levará para a COP31, que acontece entre 9 e 20 de novembro de 2026 em Antalya, Turquia, os exemplos de São Paulo (SP), São José dos Campos (SP) e Belém (PA) como cases de sucesso e aprendizado na eletrificação do transporte coletivo. A diretora-presidente Milena Braga Romano participará de debates internacionais para apresentar como a indústria, operadores, governos e instituições financeiras atuam na transição energética do transporte público.
O Diário do Transporte fará cobertura presencial na COP31, acompanhando as discussões sobre novas tecnologias, financiamentos e propostas para mobilidade sustentável. A participação da Eletra destaca soluções brasileiras que consideram os desafios de infraestrutura, clima, topografia, demanda e capacidade de investimento das cidades nacionais, além dos avanços e dificuldades que marcam a expansão da indústria e da eletrificação.
São Paulo: pioneirismo, financiamento público e desafios na rede elétrica
São Paulo é um dos principais exemplos apresentados pela Eletra na COP31, com mais de 2 mil ônibus elétricos na frota municipal, incluindo 189 trólebus. A cidade mantém uma tradição histórica no transporte elétrico desde 1949 e substitui progressivamente os ônibus a diesel por modelos elétricos a bateria, eliminando a necessidade de redes aéreas durante os trajetos.
Para superar os custos iniciais elevados dos veículos elétricos, a Prefeitura estruturou um mecanismo de subvenção que cobre a diferença de preço entre ônibus elétricos e a diesel, utilizando recursos públicos e linhas de crédito nacionais e internacionais, beneficiando-se da participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de agentes financeiros globais.
Mesmo com avanços, São Paulo ainda enfrenta desafios. A meta inicial de 2.600 ônibus elétricos até 2024 não foi atingida, e a cidade trabalha para chegar a 3.300 veículos até 2028. A redução temporária do ritmo de implantação foi atribuída a limitações na infraestrutura de recarga e capacidade da rede elétrica. A experiência paulista demonstra que a eletrificação exige planejamento integrado de infraestrutura, financiamento e operação para garantir o sucesso da transição.
São José dos Campos: modelo inovador de locação e financiamento integral da frota
São José dos Campos desenvolve projeto para substituir totalmente a frota municipal por 400 ônibus elétricos fabricados pela Eletra. Diferente de São Paulo, a Prefeitura adotou modelo que separa a propriedade dos veículos da operação do transporte, com a Green Energy fornecendo os ônibus em regime de locação à Urbanizadora Municipal (Urbam), que os disponibiliza às concessionárias.
O financiamento de R$ 879,4 milhões aprovado pelo BNDES faz parte do programa Refrota, utilizando recursos do FGTS, totalizando um investimento estimado em R$ 1,139 bilhão. O projeto é pioneiro no Brasil para renovação integral da frota com veículos elétricos nacionais e pode servir de modelo para cidades com operadoras sem capacidade financeira para aquisição direta.
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O cronograma prevê entregas até junho de 2027, com implantação de infraestrutura que inclui nove estações de carregamento e 156 pontos de recarga distribuídos pela cidade. O projeto enfrenta desafios jurídicos e logísticos, mas o Ministério Público de São Paulo arquivou inquérito sobre a licitação, e a Prefeitura segue com o plano de modernização da frota, estimando reduzir cerca de 31 mil toneladas de CO₂ por ano.
Belém: integração metropolitana e legado da COP30 no transporte sustentável
O BRT Metropolitano da Grande Belém, no Pará, completou um ano em 31 de outubro de 2026, reunindo 265 ônibus, dos quais 40 são elétricos fabricados pela Eletra. O sistema integra municípios da Região Metropolitana como Ananindeua, Marituba e Santa Bárbara do Pará, oferecendo deslocamento integrado por meio de 13 estações, dois terminais e melhorias em aproximadamente 11 quilômetros da BR-316.
Além da redução de emissões, o projeto tem impacto social ao facilitar o acesso de populações antes limitadas ao transporte público. Financiado por meio do Pró-Transporte, com investimentos de cerca de R$ 389 milhões, o sistema recebeu apoio da agência japonesa JICA e do governo federal para renovação da frota. Durante a COP30 em Belém, os ônibus elétricos foram utilizados no transporte de delegações, ampliando o reconhecimento nacional e internacional do projeto.
A implantação enfrentou atrasos e críticas, com obras iniciadas em 2019 e conclusão em 2025. O funcionamento foi gradual, com abertura progressiva de estações. O sistema evidencia que tecnologia avançada precisa ser acompanhada de infraestrutura adequada, planejamento e integração para alcançar resultados efetivos em mobilidade sustentável.
Eletra e a indústria nacional: inovação e expansão para mercados internacionais
A Eletra, com sede em São Bernardo do Campo (SP), está em fase de transformação industrial, ampliando a produção de chassis elétricos próprios e integrando componentes nacionais, incluindo os fornecidos pela WEG. A empresa planeja triplicar a capacidade produtiva, investir em novos modelos para ônibus rodoviários e fretamento, e expandir sua atuação internacional.
Entre as vendas oficializadas para 2026 e 2027, estão pedidos para cidades como São Paulo, São José dos Campos, Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Montes Claros (MG) e Hortolândia (SP). A fabricante investe mais de R$ 270 milhões para fortalecer a cadeia produtiva nacional e gerar empregos qualificados, destacando-se como exemplo de neoindustrialização no setor de transporte elétrico.
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Consultoria técnica e conhecimento estratégico na eletrificação
Além dos veículos, a Eletra apresenta na COP31 sua estrutura EletraConsult, que oferece consultoria para operadores, gestores e instituições públicas. O serviço abrange desde o planejamento das linhas, avaliação da infraestrutura, orientação financeira até a gestão operacional da recarga e manutenção dos ônibus elétricos.
Essa abordagem integrada é fundamental para superar os desafios da eletromobilidade, considerando a diversidade das condições urbanas brasileiras e assegurando que a tecnologia seja aplicada de forma eficiente e sustentável. A experiência acumulada no Brasil posiciona a Eletra como parceira técnica para projetos globais de mobilidade elétrica.
Contribuição brasileira para o debate global e perspectivas futuras
O Brasil chega à COP31 com exemplos concretos de mobilidade sustentável, destacando-se pela diversidade de modelos apresentados. São Paulo demonstra o papel do financiamento público e desafios de infraestrutura; São José dos Campos traz inovação na contratação e gestão da frota; Belém mostra integração metropolitana e impacto social do transporte sustentável.
Esses cases evidenciam que a transição energética no transporte exige planejamento, investimentos adequados e gestão eficiente para transformar a realidade urbana. A participação da Eletra e do Brasil reforça o potencial de desenvolvimento industrial, geração de conhecimento técnico e oportunidades econômicas associadas à descarbonização.
A COP31 em Antalya reunirá governos, instituições financeiras, fabricantes e sociedade civil para definir os próximos passos das políticas climáticas. A cobertura do Diário do Transporte acompanhará as discussões sobre mobilidade, infraestrutura e tecnologias de descarbonização, conectando os avanços internacionais com a realidade brasileira.
Milena Braga Romano destaca a evolução da Eletra entre as duas conferências, afirmando que a participação na COP31 representa o orgulho nacional e o compromisso com a neoindustrialização e o desenvolvimento sustentável. O Brasil, com sua indústria e conhecimento, reforça sua posição não apenas como consumidor, mas produtor de soluções para o futuro da mobilidade.
