Transformações na Ilha do Combu
A Ilha do Combu, localizada a poucos minutos de barco de Belém (PA), tem visto mudanças significativas em sua economia nos últimos anos. Rosineide Trindade, neta de um dos primeiros moradores da ilha e atualmente à frente da AME (Associação de Mulheres Extrativistas do Combu), relata que a vida na comunidade, que abriga cerca de 500 famílias ribeirinhas, sofreu uma revolução a partir de 2011. Foi nesse ano que a energia elétrica chegou à ilha, propiciando a abertura de restaurantes e a instalação de escolas e um posto de saúde. “Antes, os homens eram os únicos que trabalhavam, focando na coleta de açaí. Eu mesma fui para Belém aos 13 anos para trabalhar como empregada doméstica”, relembra Neide.
Em 2019, influenciadas pela professora Flavia Lucas, da Universidade do Estado do Pará (UEPA), um grupo de mulheres tomou uma iniciativa ousada: fundaram uma associação para resgatar a prática quase extinta de extração do óleo de andiroba, um produto valioso tanto comercialmente quanto para a saúde. Segundo Rosineide, o início foi desafiador, já que a associação carecia de recursos financeiros e estrutura adequada. “Começamos com desafios, trabalhando sem água encanada e cozinhando no chão. De 25 mulheres, apenas 12 permanecem, pois muitas não conseguiram prosseguir”, explica.
Com o tempo, e graças a doações, conseguiram estabelecer uma sede, onde começaram a produzir e comercializar óleos e sabonetes, utilizando de forma sustentável todos os insumos, até mesmo as cascas, que são utilizadas para dar textura aos sabonetes. A visibilidade que a COP30 trouxe para a região em novembro do ano passado impulsionou ainda mais o trabalho da associação. Apoiada pelo Sebrae-PA, foi criada a Rota do Combu, atraindo turistas e incentivando a venda dos produtos locais. “As delegações começavam a ligar para agendar visitas e encomendar produtos. Trabalhamos dia e noite e saímos em destaque até no Jornal Nacional”, conta Rosineide, visivelmente orgulhosa do que conseguiram conquistar.
