Bioeconomia ganha espaço inovador em Belém
Belém, cidade marcada pela riqueza da bioeconomia, reúne elementos icônicos que reforçam sua conexão com a sociobiodiversidade: a baía do Guamá, a culinária regional, o mercado Ver o Peso onde desembarca o açaí, além de instituições científicas centenárias e a vasta vegetação nativa que cobre 61% do território. Após a COP30, realizada no ano passado, a cidade recebeu novos marcos amazônicos, como parques e edifícios arquitetônicos inovadores. Mas é a agência do Banco do Brasil, localizada próxima à Estação das Docas, no bairro do Umarizal, que se destaca por traduzir o simbolismo das finanças no contexto da bioeconomia.
Espaço que une tecnologia e tradição amazônica
Projetada para promover a interação com os clientes, a agência mistura ambientes tradicionais, como salas de gerentes, a áreas dedicadas ao atendimento digital. O saguão central foi transformado em uma “praça” vibrante, que abriga uma sorveteria com sabores de frutos amazônicos e lojas voltadas para a bioeconomia. Um destaque é a Seringô, startup que traz modernidade à borracha, insumo histórico da economia local. A empresa, ligada a comunidades extrativistas, utiliza látex para criar tênis, sandálias e acessórios expostos na vitrine da agência.
Inovação que impulsiona comunidades locais
Lauro Samonek, líder do negócio ao lado do pai Francisco Samonek, explica que a iniciativa simboliza o momento atual da bioeconomia no Pará. Francisco, paranaense que chegou à Amazônia na década de 1980 para plantar seringueiras por meio de incentivos federais, tornou-se referência em inovações com borracha nativa. A fábrica da Seringô em Castanhal (PA) produz até 3 mil pares de calçados por mês, adquirindo matéria-prima de 1,5 mil famílias a preços cinco vezes superiores aos do mercado tradicional.
Leia também: ExpoBio 2026 da UFPA destaca ciência e biodiversidade amazônica em Belém
Leia também: Belém é Finalista como Melhor Destino Gastronômico do Brasil; Vote Agora!
Com apoio da Fundação Banco do Brasil na tecnologia social, o projeto integrou o programa Marajó Sustentável para capacitar comunidades do arquipélago. Lauro destaca que o mercado não deve encarar a sustentabilidade como inimiga da produção, e a empresa busca financiamento para automação industrial. Além do látex, os calçados incorporam 30% de fibras do caroço de açaí em sua composição.
Rastreabilidade e parcerias globais fortalecem o negócio
Os produtos Seringô são totalmente rastreáveis, permitindo verificar a origem e o impacto da cadeia produtiva. Essa tecnologia foi desenvolvida em colaboração com a suíça SICPA, empresa reconhecida pela segurança em papel moeda mundialmente. Lauro Samonek ressalta que o negócio está aberto a parcerias com fabricantes globais, ampliando as possibilidades de expansão.
Financiamento direcionado fortalece a bioeconomia no Pará
A loja na agência do Banco do Brasil não apenas oferece visibilidade, mas também representa uma nova estratégia financeira para a bioeconomia. Henrique Vasconcellos, gerente executivo de negócios e soluções ASG do Banco do Brasil, afirma que o Estado do Pará reforça sua importância na agenda de crédito focada na Amazônia. O banco criou um hub financeiro regional para mapear estruturas produtivas e conectar comunidades aos recursos, considerando as especificidades locais.
Em 2025, os fóruns promovidos pelo banco no Pará resultaram no atendimento de 2 mil pessoas e 170 negócios comunitários, evidenciando o impacto positivo das ações no desenvolvimento sustentável da região.
