Pará se movimenta para assumir protagonismo no mercado petrolífero da Margem Equatorial
A cidade de Belém começa a ganhar destaque como base estratégica para operações de petróleo na Margem Equatorial, impulsionando uma movimentação que vai além das plataformas marítimas. Antes mesmo do início da produção comercial, o Estado do Pará já se organiza para fortalecer sua participação em setores essenciais como logística, fornecedores, formação profissional, tecnologia, infraestrutura e serviços.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou esse movimento durante sua passagem por Belém no Círio de Nazaré. Ela destacou que a capital paraense já atua como estrutura de apoio à campanha realizada na costa do Amapá e que há potencial para ampliar essa função caso a perspectiva de um novo polo produtor no Norte se concretize.
Descobertas impulsionam expectativa para cadeia produtiva local
O avanço no cenário petrolífero ganhou reforço com os resultados recentes do poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. Em outubro, a Petrobras confirmou um segundo intervalo portador de petróleo no mesmo poço onde já havia identificado hidrocarbonetos em agosto. O Morpho está situado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas, e as análises apontam para a qualidade do petróleo encontrado.
Alex Dias Carvalho, presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), ressalta que o período entre a descoberta e a possível produção é crucial para o Pará. “É o momento oportuno para organizar fornecedores, qualificar trabalhadores, superar desafios de infraestrutura e definir nosso papel na cadeia produtiva. Se esperarmos, outros centros estarão mais avançados”, afirma.
Planejamento e mobilização local são essenciais para o desenvolvimento
Para Carvalho, a agenda do Pará precisa ir além das decisões da Petrobras, governo federal e do processo de licenciamento ambiental. O caminho envolve atuação efetiva do Estado, com planejamento, definição de metas e execução para garantir que empresas locais tenham participação nos contratos, que os empregos sejam gerados internamente e que os investimentos permaneçam na região.
O presidente da Fiepa também destaca a importância de pressionar pela exploração na costa paraense, onde já existem cinco poços leiloados aguardando liberação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Isso ampliaria ainda mais as oportunidades para o Estado.
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Impacto econômico da Margem Equatorial pode ser significativo para o Pará
Projeções do Observatório da Indústria da Fiepa apontam que o desenvolvimento da Margem Equatorial poderá gerar cerca de 52 mil empregos formais no Pará e acrescentar R$ 10,7 bilhões ao Produto Interno Bruto estadual, representando 6,2% da economia local. Esses números evidenciam a importância estratégica da cadeia petrolífera para o crescimento regional.
O exemplo do Rio de Janeiro ilustra o potencial desse setor. De acordo com o Anuário do Petróleo no Rio 2026, o Estado foi responsável por 88% da produção nacional de petróleo em 2025, com 1,2 bilhão de barris produzidos. Além disso, estima-se que mais de 96 mil trabalhadores estejam direta ou indiretamente ligados ao setor, abrangendo atividades como engenharia, manutenção, logística, tecnologia, alimentação, hotelaria e serviços especializados.
Perspectivas regionais e desafios ambientais em foco
O professor Allan Kardec Barros Filho, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e diretor-presidente da Companhia Maranhense de Gás (Gasmar), alerta que o potencial econômico do setor ainda é pouco compreendido na região. Para ele, limitar o debate aos royalties ignora os impactos e encadeamentos econômicos que uma indústria dessa magnitude pode gerar, incluindo milhares de empregos e investimentos bilionários.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também destaca a capacidade local para internalizar efeitos do desenvolvimento petrolífero. No evento Amazon Energy, realizado na Fiepa, a entidade ressaltou a presença de portos estratégicos, áreas para expansão, conexões aéreas e rodoviárias, além de uma base metalmecânica e logística robusta. A indústria de máquinas e equipamentos brasileira conta com cerca de 9 mil fabricantes e gera aproximadamente 400 mil empregos, segundo dados da Abimaq.
Cuidado ambiental é parte integrante do debate
Allan Kardec enfatiza que o avanço econômico não pode se dissociar da responsabilidade ambiental. A exploração em águas ultraprofundas demanda licenciamento rigoroso, fiscalização constante, sistemas de prevenção e capacidade de resposta a emergências. A Petrobras mantém uma equipe de mais de cem profissionais dedicados à proteção da fauna e bases de atendimento em Belém e Oiapoque.
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Além disso, a companhia investe mais de R$ 60 milhões em projetos socioambientais ligados à Margem Equatorial até 2027. Entre as iniciativas estão monitoramento de tartarugas e aves, educação ambiental, estudos sobre manguezais e o apoio a comunidades tradicionais.
Distância geográfica e análise científica para avaliação de riscos
Antônio Batista, engenheiro especialista em Negócios no segmento de Óleo e Gás e consultor da Fiepa, destaca a importância de distinguir possibilidade, probabilidade e consequência no debate ambiental. Ele observa que o poço Morpho está a cerca de 175 quilômetros da costa e a mais de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, o que cria uma barreira espacial significativa para impactos diretos na costa.
No entanto, Batista ressalta que a avaliação deve considerar fatores como correntes marítimas, ventos, ondas, sazonalidade, volume do vazamento e características do óleo, garantindo uma análise científica robusta e precisa.
Oportunidade para legado econômico sustentável no Pará
Para Alex Dias Carvalho, é fundamental reconhecer a importância do petróleo mesmo durante a transição energética, não apenas como fonte de combustível, mas também como insumo para a indústria petroquímica, produção de pneus, asfalto, plásticos, tintas, fibras e diversos outros produtos.
O desafio maior é transformar a oportunidade oferecida pela Margem Equatorial em um desenvolvimento econômico duradouro para o Pará. “O petróleo pode estar no mar, mas o crescimento precisa acontecer em terra”, conclui o presidente da Fiepa.
