Ex-ministro Enfatiza a Importância do Diálogo na saúde
No evento realizado no International Club of Portugal, o ex-ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, destacou a necessidade de consensos políticos para a construção de um Pacto Estratégico para a Saúde, após ser escolhido pelo Presidente da República para coordenar essa iniciativa. Durante o almoço, o ex-ministro expressou sua honraria e sensibilidade em relação à escolha, relembrando as intenções de António José Seguro, que se comprometeu a dedicar seu primeiro ano de presidência a melhorar o setor da saúde no país.
Quando questionado se o pacto envolverá reuniões com todos os partidos, Campos Fernandes foi cauteloso e afirmou que, apesar de não querer entrar em muitos detalhes, a construção de consensos é essencial. ‘A política não pode ser feita sem diálogo’, afirmou. Ele ressaltou: ‘O país precisa, ao contrário do que se pensa, de mais consenso e menos rupturas, e estamos muito focados na ideia de dividir.’
reformas Necessárias na Saúde com Menos Recursos
Na sua fala, Campos Fernandes abordou a possibilidade de se alcançar melhores resultados na saúde mesmo com menos recursos. Ele reafirmou essa ideia ao final de sua apresentação. ‘Acredito que o atual governo tem essa consciência. Todos os governos anteriores são cientes de que devemos lutar incessantemente contra a ineficiência e o desperdício’, disse, ressaltando a importância de garantir acesso a medicamentos e unidades de saúde de qualidade para os cidadãos.
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O evento contou com a presença de figuras proeminentes, como o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e antigos governantes na área da saúde, entre eles Maria de Belém e Fernando Leal da Costa. Durante sua intervenção, Campos Fernandes também fez questão de avisar que não comentaria mais sobre questões de política de saúde a partir daquele momento, mas destacou a importância de reconhecer as falhas de todos os governos nesse setor.
Desafios e Ineficiências na Saúde Portuguesa
Ao discutir os desafios enfrentados pela saúde em Portugal, o ex-ministro apontou que há 1,7 milhões de portugueses sem médicos de família e que as listas de espera têm aumentado. Ele alertou que ‘a despesa em saúde deve ser um sinal de alerta para todos os responsáveis políticos’. ‘Portugal não pode continuar a suportar o crescimento da despesa pública em saúde nesse ritmo, diante de tanta ineficiência’, acrescentou.
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Para Campos Fernandes, a falha do sistema de saúde português não pode ser atribuída à falta de recursos financeiros. ‘Foi possível manter o SNS com menos dinheiro. É uma irresponsabilidade acreditar que não se pode fazer mais com menos’, afirmou, ressaltando o impacto que isso tem na vida dos jovens que enfrentam altas taxas de impostos.
Expectativas sobre Reformas e Administração Pública
O ex-ministro expressou interesse no trabalho desenvolvido pela Faculdade de Economia do Porto, coordenado por Passos Coelho e Sérgio Sousa Pinto, que investiga reformas e bloqueios estruturais em Portugal. Apesar disso, ele deixou um aviso importante: ‘Um Estado que deseja se reformar não pode apenas fazer anúncios. O que precisamos são ações concretas e avaliações, pois frustrar expectativas é a pior coisa que pode acontecer.’ Além disso, manifestou-se contra as nomeações políticas em cargos de alta gestão na administração pública, defendendo a necessidade de meritocracia.
