Feira Cancelada se Torna Oportunidade para pequenos empreendedores
A confeiteira Fernanda Paiva estava pronta para vender seus deliciosos produtos em uma feira local quando, para sua surpresa, recebeu a notícia do cancelamento do evento na última hora. Assim como outros participantes, ela havia preparado mercadorias, muitas delas perecíveis, e temia perder todo o trabalho realizado. “Foi uma surpresa muito grande para a gente. Nós nos programamos porque trabalhamos com bolos, que são produtos perecíveis, e de repente não pudemos vender”, revela.
Diante do cenário inesperado, Fernanda decidiu não se deixar abater. Ela buscou a prefeitura para obter autorização para organizar um novo evento em uma das praças da cidade e, assim, surgiu a Feirinha Criativa, que hoje conta com a participação de dezenas de pequenos empreendedores aos finais de semana.
Transformação de Confeiteira a Organizadora de Feiras
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Fernanda e sua mãe, dona Erly, já produzem bolos caseiros há seis anos e, nas feiras, chegam a vender mais de 750 fatias em cada edição, oferecendo uma variedade de sabores e receitas. O negócio familiar gera cerca de R$ 9 mil mensais, mas o impacto vai além das vendas individuais de Fernanda. Ao criar a feira, ela também abriu espaço para que outros pequenos produtores possam comercializar seus produtos.
Atualmente, cerca de 50 expositores participam das feiras, realizadas em praças da cidade. Para marcar presença, cada empreendedor paga uma taxa diária de R$ 75, que é utilizada para cobrir despesas com mesas, cadeiras e divulgação do evento. “Nós acreditamos na livre concorrência. Ela incentiva cada um a melhorar cada vez mais”, destaca Fernanda.
Para muitos dos participantes, a feira representa muito mais que um simples ponto de venda; é uma oportunidade de divulgar seu trabalho e conquistar novos clientes. A empreendedora Sanny Shewron, que vende cookies, recorda que quase perdeu toda a produção quando a feira original foi cancelada. “Eu tinha passado a semana inteira preparando as massas e comprando mercadoria. Fiquei muito triste quando cancelaram”, conta ela.
A comerciante Iszys Tavares, que vende pijamas, também expressou sua frustração: “Eu fiz investimento, preparei estoque e de repente cancelaram. Foi desesperador”, relata.
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Fatias que Viraram Negócio Lucrativo
Entre os expositores, também está a confeiteira Nelcyara Noronha, natural da comunidade de São Tomé, no interior do Amazonas. Ela começou a confeitar após trabalhar como atendente de padaria e, sendo autodidata, aprendeu receitas testando combinações de recheios. Hoje, Nel vende em média 620 fatias de bolo por feira e produz até 49 bolos por dia em casa, com o auxílio da família, gerando uma receita de aproximadamente R$ 12 mil mensais. Recentemente, ela formalizou sua atividade como Microempreendedora Individual (MEI). “Para a gente que é autônomo, cada feira significa renda para a família”, diz.
A estratégia de vender fatias, em vez do bolo inteiro, foi um diferencial que atraiu mais clientes. “Muita gente queria provar vários sabores, mas não queria comprar o bolo todo. Foi assim que surgiu a ideia das fatias”, explica ela.
A Praça como Vitrine de Oportunidades
Mais do que um simples local de vendas, a Feira Criativa se tornou um espaço de networking e novas oportunidades para pequenos empreendedores locais. Segundo Fernanda, o objetivo é transformar a praça em um verdadeiro palco para novos negócios. “A gente tenta dar aquele empurrãozinho que o pequeno empreendedor precisa. Transformar a praça em uma vitrine de talentos”, afirma.
Para Fernanda, a iniciativa assumiu um significado ainda maior. “Quando você impacta positivamente a vida de outras pessoas, deixa de ser apenas trabalho. Se torna um propósito de vida”, conclui, evidenciando como um desafio superado pode se transformar em uma verdadeira oportunidade de crescimento e colaboração entre empreendedores locais.
