Retorno ao Trabalho e Críticas à Perseguição Política
O governo de Roraima determinou que Rebeca Ramagem, procuradora do Estado, retorne presencialmente ao seu posto, após um longo período residindo nos Estados Unidos. Desde o final de 2025, Rebeca vive fora do Brasil com seu marido, Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-diretor-geral da Abin, além de suas duas filhas. Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, a procuradora argumenta que, atualmente, diversas atividades, como audiências e reuniões, estão sendo conduzidas de forma virtual e, portanto, questiona a necessidade de sua presença física na Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR).
Rebeca classificou essa exigência como uma clara “perseguição política”, ressaltando que desde 2016 exerce suas funções remotamente, sem prejuízos ao serviço público. Ela destacou que cerca de um terço dos procuradores do Estado operam sob o regime de teletrabalho, um modelo que já está regulamentado e disponível, mas que, segundo ela, não é aceito para sua situação específica.
“Esse ato arbitrário evidencia um cenário de perseguição política. Estou confiante de que ainda existem pessoas no Brasil e em Roraima dispostas a agir com justiça, além do medo e da conveniência”, afirmou Rebeca em seu vídeo, expressando sua determinação.
Controvérsias envolvendo Alexandre Ramagem
A situação de Rebeca é ainda mais complexa devido à condenação de seu marido, Alexandre Ramagem, que foi sentenciado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Após deixar o Brasil em dezembro, ele passou a ser considerado foragido. O Supremo Tribunal Federal (STF) decretou a prisão de Ramagem no âmbito de investigações relacionadas a essa tentativa de golpe, que ocorreu após as eleições de 2022.
A Corte o condenou por diversos crimes, incluindo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Em consequência da condenação, a Câmara dos Deputados também declarou a perda de seu mandato.
No dia 6 de fevereiro, Alexandre Ramagem prestou depoimento por videoconferência ao STF, onde negou as acusações, incluindo a utilização indevida da Abin para monitorar autoridades e opositores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Essa situação familiar e as acusações contra Alexandre Ramagem têm gerado discussões acaloradas e levantado questões sobre a imparcialidade e a política no Brasil, especialmente em um momento em que a confiança nas instituições está sendo colocada à prova.
