Tensão Política e Desembarque do Navio MV Hondius
O governo das Ilhas Canárias, parte da Espanha, manifestou a sua oposição à decisão do governo federal de permitir a entrada do navio MV Hondius, que transporta passageiros de um cruzeiro onde houve um surto de hantavírus. Inicialmente, a embarcação, que partiu de Ushuaia, na Argentina, estava programada para desembarcar em Cabo Verde, em 6 de maio. Contudo, a situação se complicou quando as autoridades locais se recusaram a receber os tripulantes, após a confirmação de mortes e casos suspeitos da doença. De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), três pessoas faleceram e outras oito estão sob suspeita de contaminação.
Na última terça-feira (5), após solicitações da OMS, o governo espanhol decidiu receber os passageiros nas Ilhas Canárias. A decisão foi justificada pela falta de infraestrutura em Cabo Verde para lidar com a situação. “As Ilhas Canárias são o local mais próximo com a estrutura necessária para essa operação. A Espanha possui uma obrigação moral e legal de ajudar essas pessoas, que incluem cidadãos espanhóis”, declarou o ministério da saúde espanhol.
Leia também: Eleições Históricas em Bangladesh: Participação Alta Após Protestos da Geração Z
Leia também: Incêndio em Universidade do Senegal Deixa Estudantes em Perigo Durante Protestos
Entretanto, o governo canário, liderado por Fernando Clavijo, criticou a determinação federal. Em entrevista à rádio COPE, Clavijo afirmou: “Esta decisão não se baseia em critérios técnicos e não oferece informações suficientes para tranquilizar a população quanto à segurança”. Esse posicionamento gerou tensões entre as duas esferas governamentais, com autoridades federais considerando as falas de Clavijo como “irresponsáveis” e potencialmente alarmantes.
Uma Saída Provisória para o Problema
Na quinta-feira (7), houve um aceno de entendimento entre os governos. Clavijo foi informado de que o navio não atracaria no porto, mas permaneceria ancorado em um local próximo. “Consideramos isso uma ótima notícia, pois diminui as potenciais fontes de infecção e riscos. A evacuação dos passageiros será feita por meio de um navio-base que os transportará até o aeroporto”, declarou o líder canário.
Leia também: Regulamentação das Escolas de Saúde Pública no SUS: Avanços Importantes
Leia também: Hospital Galileu Comemora 12 Anos de Compromisso com a Saúde Pública
A relação entre os governos local e federal se mostra crucial neste cenário, segundo Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador da Universidade Harvard. Brustolin ressalta que, apesar do controle federal sobre o espaço marítimo, as autoridades canárias têm a responsabilidade sobre a infraestrutura e a segurança pública, o que lhes concede influência significativa nas operações de desembarque.
protestos e Preocupações Locais
Apesar do acordo, a rejeição à decisão de receber o navio persiste entre a população local. Na sexta-feira (8), ocorreu uma manifestação em Santa Cruz, na região do porto de Tenerife, com cidadãos expressando sua insatisfação. Um manifestante carregava um cartaz que dizia: “Isto não ajuda. Isto é um trabalho malfeito”.
O MV Hondius deve ancorar no porto de Granadilla, em Tenerife, neste domingo pela manhã. O local estará isolado, e não haverá contato dos passageiros com a população local. Após o desembarque, as 147 pessoas a bordo, incluindo passageiros e tripulação, serão submetidas a um período de quarentena antes de serem repatriadas.
De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), até o momento, nenhum passageiro apresenta sintomas da doença. Os passageiros serão transferidos em botes infláveis para aeronaves privadas contratadas pelos governos de seus países. Apenas os 14 cidadãos espanhóis permanecerão na Espanha, sendo transferidos para o Hospital Gómez-Ulla, em Madri, onde também ficarão em quarentena.
