O Voto da Geração Z em Bangladesh
A população de Bangladesh, uma das mais densas do planeta, compareceu às urnas nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, após revoltas históricas ocorridas em 2024. Esses protestos, que resultaram em aproximadamente 1.400 mortes, foram marcados pela repressão violenta contra jovens, levando a então premiê Sheikh Hasina a fugir e, posteriormente, ser condenada à morte. Este é um marco: a primeira eleição no mundo realizada após um movimento liderado pela geração Z, que inclui jovens com menos de 30 anos. O Nepal também se prepara para eleições, seguindo uma onda de mobilizações semelhantes.
Os protestos em Bangladesh surgiram contra um sistema de cotas que priorizava parentes de funcionários públicos. Estudantes e jovens se levantaram, mas enfrentaram uma repressão brutal, sob ordens de Hasina, resultando em numerosos mortos, conforme relatado pela ONU. Após a fuga de Hasina para a Índia, o Nobel da Paz Muhammad Yunus assumiu a liderança interina do país.
Com cerca de 128 milhões de eleitores aptos, a participação atingiu 32,88% ao meio-dia em cerca de 75% dos 42.651 centros de votação, conforme informou Akhtar Ahmed, secretário sênior da Comissão Eleitoral. Especialistas consideram que um resultado claro é vital para restaurar a estabilidade em uma nação de 175 milhões, severamente impactada pela crise política e seus reflexos na economia, incluindo o crucial setor têxtil, segundo maior exportador do planeta.
Os Principais Candidatos e Expectativas
A disputa eleitoral se dá entre velhos aliados, representados por duas coligações: Tarique Rahman, do Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), e Shafiqur Rahman, líder do Jamaat-e-Islami. Pesquisas indicam uma leve vantagem para Rahman, que expressou otimismo em relação à vitória. ‘Estou confiante. Há um clima de entusiasmo entre os eleitores’, declarou ele aos jornalistas.
Além de escolher o novo governo, os cidadãos também renovam o Parlamento, com mais de 2.000 candidatos, incluindo nomes independentes, na corrida por 300 cadeiras no Jatiya Sangsad, a Câmara da Nação.
Clima de Esperança nas Urnas
Na capital, Daca, filas se formaram antes da abertura das urnas, às 7h30, com eleitores ansiosos por participar do processo democrático. Mohammed Jobair Hossain, de 39 anos, revelou que não votava desde 2008. ‘Estou animado porque finalmente podemos votar livremente após 17 anos’, afirmou, em uma expectativa compartilhada por muitos que notaram um ambiente mais festivo do que em eleições anteriores. ‘É quase como o Eid’, comparou Kamal Chowdhury, um motorista de 31 anos.
Do lado de fora de um dos locais de votação, onde Rahman e Yunus exerceram seu direito, a polícia foi vista garantindo a segurança e encorajando os cidadãos: ‘A polícia está aqui, vote sem medo’. O partido Awami League, de Hasina, está banido, enquanto ela se encontra em exílio autoimposto na Índia, o que abre espaço para a influência crescente da China na região, à medida que as relações de Dhaka com Nova Déli se deterioram.
Desafios e Oportunidades no Processo Eleitoral
As declarações de Yunus, que assumiu a presidência interina, refletem um desejo de renovação: ‘Hoje, temos a chance de construir um novo Bangladesh a cada passo que dermos. Este é um dia de alegria e libertação’. Apesar do clima positivo, ocorreram incidentes isolados de violência, incluindo a morte de um líder do BNP em Khulna e ferimentos em membros das forças de segurança e uma menina de 13 anos em Gopalganj devido a uma explosão.
Para a segurança das eleições, cerca de 958 mil agentes de segurança, entre policiais, militares e paramilitares, foram mobilizados. Os agentes estavam posicionados em locais estratégicos para garantir a tranquilidade do pleito.
Além das eleições, um referendo sobre reformas constitucionais também está em andamento, visando o estabelecimento de um governo neutro durante períodos eleitorais, uma nova estrutura parlamentar, aumento da representação feminina, fortalecimento da independência judicial e limites de mandatos para o cargo de primeiro-ministro. Segundo Thomas Kean, consultor do International Crisis Group, ‘o real teste para Bangladesh será garantir que a eleição ocorra de forma justa e que todas as partes respeitem os resultados’. A apuração começou, e os resultados devem ser divulgados na manhã de sexta-feira, 13 de fevereiro, conforme anunciou a Comissão Eleitoral.
