Casos de homicídios de professores mobilizam investigação em Belém
Em um curto intervalo de 48 horas, Belém registrou a morte de dois professores no bairro da Marambaia, fato que despertou a atenção da Polícia Civil do Pará. As circunstâncias semelhantes dos homicídios, ocorridos em residências e envolvendo vítimas do sexo masculino, levantaram a hipótese da atuação de um possível serial killer na capital paraense. Essa especulação ganhou força nas redes sociais, porém, até o momento, as autoridades não confirmaram oficialmente essa possibilidade.
Detalhes dos crimes e investigações em andamento
Ambos os homicídios aconteceram no Conjunto Médici, na Marambaia. As vítimas tinham perfis semelhantes e foram encontradas mortas em suas casas, onde estavam sozinhas. As investigações apontam que cada uma delas havia recebido a visita de um homem poucas horas antes dos assassinatos. Outro ponto em comum é que esses encontros foram marcados por meio de um aplicativo de relacionamento voltado para o público LGBTQIA+.
Apesar das semelhanças, os investigadores seguem com cautela. Os dois inquéritos estão em andamento, com prioridade para identificar o homem que aparece ligado a ambos os casos. Também buscam confirmar se há conexão entre os crimes ou se as coincidências são apenas circunstanciais.
O primeiro homicídio
O primeiro caso ocorreu na manhã de domingo (5), quando o professor de Biologia e médico-veterinário Paulo Paiva, de 53 anos, foi encontrado morto em sua residência na passagem Bujaru, Conjunto Médici. As investigações indicam que Paulo passou a noite anterior acompanhado de um homem, e imagens de câmeras de segurança registraram um visitante deixando o local durante a madrugada, poucas horas antes do corpo ser descoberto.
Paulo apresentava sinais de espancamento. Peritos da Polícia Científica coletaram impressões digitais, vestígios biológicos e outros elementos para identificar o autor do crime e reconstruir a dinâmica do ocorrido. Desde então, a Polícia Civil trabalha para localizar o homem visto nas imagens e rastrear seus passos após deixar a casa.
Leia também: Fragata Francesa “Amiral Ronarc’h” Visita Belém em Missão Naval de Cooperação
Leia também: Avenida Liberdade: vistoria técnica do Ministério Público após trecho ceder na Grande Belém
O segundo homicídio
Dois dias depois, na terça-feira (7), outro assassinato seguiu um roteiro semelhante. O professor de Língua Portuguesa, Augusto César Siqueira, de 55 anos, foi encontrado morto em uma quitinete alugada no Conjunto Médici II, também na Marambaia. Servidor público de Altamira, ele estava em Belém durante as férias.
A proprietária do imóvel acionou a polícia após notar a ausência de resposta do hóspede. Augusto foi achado sem roupas, ensanguentado e com uma lesão grave na cabeça. O laudo preliminar aponta que a causa da morte foi um golpe desferido com objeto contundente.
Testemunhas relataram que, assim como no primeiro caso, a vítima havia recebido a visita de um homem pouco antes do crime, que teria saído do local antes da descoberta do corpo.
Coincidências que chamaram atenção em Belém
Esses casos geraram preocupação entre os moradores da Marambaia e repercutiram intensamente nas redes sociais. Entre os pontos em comum observados estão:
Leia também: Avenida Liberdade: Vistoria Técnica do Ministério Público após Ceda no Trecho da Grande Belém
Leia também: Criança Autista Sofre Agressão em Elevador em Belém: Mãe Busca Justiça
- Vítimas do sexo masculino, com idades próximas;
- Ambos professores;
- Crimes ocorreram com dois dias de diferença;
- Corpos encontrados em residências do mesmo conjunto habitacional;
- Encontros anteriores aos crimes marcados por aplicativo de relacionamento;
- Presença de um homem deixando as residências após os encontros;
- Violência física intensa, principalmente lesões na região da cabeça.
Esses elementos levaram à hipótese de que um mesmo criminoso possa estar usando aplicativos para selecionar e atrair vítimas antes de cometer os homicídios.
Posicionamento das autoridades e investigação em andamento
A Polícia Civil informou que a Divisão de Homicídios (DH) investiga o primeiro caso, com diligências para identificar e localizar suspeitos. Perícias foram solicitadas para auxiliar na apuração, e denúncias podem ser feitas pelo Disque-Denúncia no número 181, garantindo sigilo.
O segundo caso está sob responsabilidade da Seccional Urbana da Marambaia, que apura as circunstâncias e autoria do crime, com perícias e depoimentos de testemunhas para ajudar nas investigações.
Há um serial killer em Belém?
Apesar das especulações, não há confirmação oficial. Na criminologia, o termo “serial killer” se refere a um criminoso que comete três ou mais homicídios distintos, separados por intervalos de tempo, geralmente motivados por padrões psicológicos específicos. Até o momento, apenas dois homicídios com características semelhantes estão sendo investigados.
