O Pará e a realidade dos terremotos na região
Os tremores que sacudiram prédios em Belém recentemente demonstram que os terremotos não são fenômenos tão distantes da realidade paraense quanto muitos imaginam. A tragédia na Indonésia, no último sábado (15), após um forte terremoto na Colômbia, reacende a questão que sempre surge quando prédios na capital paraense balançam: existe risco de um terremoto atingir o Brasil, e mais especificamente o Pará?
No dia 24 de junho, um terremoto de magnitude 7,5 ocorrido na Venezuela teve efeitos sentidos em Belém e Santarém. Moradores de prédios altos em bairros como Umarizal, Nazaré, Pedreira e Cremação perceberam o tremor, o que levou à evacuação preventiva de algumas edificações. Bombeiros e Defesa Civil realizaram vistorias e não registraram vítimas ou danos estruturais.
Impactos recentes na América Latina e no mundo
Antes disso, a Colômbia sofreu um terremoto devastador no dia 10 de junho, de magnitude 7,4, com epicentro em San José del Palmar, Chocó. O balanço até o dia 14 indicava 281 mortos, quase 4 mil feridos, centenas de desaparecidos e milhares de imóveis afetados. O país também teve mais de 20 réplicas após o evento principal.
Na Indonésia, no sábado (15), um abalo de magnitude 7,7 atingiu a ilha de Flores, causando pelo menos 47 mortes, dezenas de feridos e cerca de 2 mil deslocados. Casas, escolas e prédios públicos foram danificados, além de deslizamentos e bloqueios de estradas. Um alerta de tsunami chegou a ser emitido, mas foi posteriormente cancelado. A Indonésia está localizada no Círculo de Fogo do Pacífico, uma das áreas tectonicamente mais ativas do planeta.
Brasil e o risco sísmico
O Brasil, por estar situado no interior da Placa Sul-Americana, longe dos limites tectônicos ativos, apresenta um risco significativamente menor de grandes terremotos. Ainda assim, sismos intraplaca de baixa a moderada magnitude acontecem, provocados pela liberação de tensões acumuladas em falhas geológicas antigas.
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De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país tem uma proteção relativa contra grandes abalos, mas o risco não é inexistente. A Rede Sismográfica Brasileira, que envolve instituições como USP, Universidade de Brasília, Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Observatório Nacional, monitora o território com mais de 90 estações sismográficas.
Atividade sísmica local no Pará
O Pará merece atenção especial devido à sua própria atividade sísmica. Em 3 de abril de 2025, Parauapebas registrou um terremoto de magnitude 4,3, o maior desde 1900 na região. Durante o mesmo ano, outros tremores menores foram sentidos em Parauapebas, Novo Repartimento e Tucuruí, com magnitudes entre 2,3 e 2,9.
Em julho de 2025, Parauapebas sofreu dois terremotos de magnitude 4,2 em menos de 24 horas. Três dos cinco maiores terremotos intraplaca do Brasil naquele ano ocorreram na região, evidenciando a atividade sísmica local.
Em 2026, a região de Tucuruí registrou uma sequência de três tremores em 11 de junho, com destaque para um evento de magnitude 3,5. Moradores relataram vibrações e estrondos, mas não houve vítimas nem danos na Usina Hidrelétrica de Tucuruí, segundo análises técnicas.
Como terremotos distantes afetam Belém
Belém pode sentir tremores sem estar próxima ao epicentro por causa das ondas sísmicas geradas por grandes terremotos distantes. No caso do evento venezuelano de junho, a energia liberada foi suficiente para que prédios altos na capital paraense apresentassem oscilações. A percepção desses tremores depende da localização do observador, sendo mais comuns em andares superiores.
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Em 21 de agosto de 2018, um terremoto de magnitude 7,3 na Venezuela também foi sentido em Belém, reforçando a ideia de que o Pará pode ser afetado por eventos sísmicos internacionais.
Frequência dos tremores no Pará em 2024
Dados do Centro de Sismologia da USP indicam nove ocorrências sísmicas nas regiões sul e sudeste do Pará durante 2024, principalmente em municípios como Parauapebas e na região de Carajás. Grande parte dos tremores possui magnitudes pequenas, mas alguns são suficientemente fortes para serem sentidos pela população local.
Potencial de destruição em Belém
O conhecimento geológico atual indica que Belém está longe de enfrentar riscos comparáveis às cidades localizadas em zonas tectônicas ativas, como na Colômbia ou Indonésia. A maior parte dos terremotos registrados no Brasil são de baixa a moderada magnitude, reduzindo a possibilidade de grandes desastres.
Os eventos locais em Parauapebas e Tucuruí, junto com os tremores sentidos em Belém devido a abalos internacionais, reforçam a necessidade de prevenção sem alarmismo. A vigilância constante por meio do monitoramento sismográfico garante que o Estado esteja preparado para responder a possíveis eventos futuros.
Portanto, o Pará não é uma região imune a terremotos, mas está relativamente protegido em comparação a outras áreas do planeta. A atenção deve se manter voltada para a prevenção e para o acompanhamento técnico dos fenômenos sísmicos que podem afetar a população local.
