Reggae e a Luta das Mulheres em Belém
No último sábado, 14 de março, Belém se tornou palco de uma celebração significativa da luta das mulheres, especialmente das mulheres negras, por respeito e direitos. A Associação Paraense da Cultura Reggae (APCREGGAE) organizou uma roda de conversa em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que anualmente é comemorado no dia 8 de março. O encontro aconteceu na sede da APCREGGAE, localizada na avenida Senador Lemos, 4097, no bairro da Sacramenta, e teve entrada gratuita. Durante o evento, foi apresentado oficialmente o tema do 29º Festival Tributo a Bob Marley de 2026: “Quando as mulheres são respeitadas, o mundo respira justiça”. Essa proposta é um chamado à justiça climática, à equidade de gênero e ao fim das violências contra as mulheres, reforçando a importância do protagonismo feminino na cultura.
A roda de conversa contou com a participação de representantes da área cultural e lideranças com forte atuação em direitos das mulheres. A iniciativa, que teve o apoio do Núcleo de Prevenção e Enfrentamento à Violência de Gênero da Defensoria Pública do Estado do Pará (Nugem), teve como foco a discussão de temas relevantes para a luta feminina.
Temas de Relevância e Protagonismo Feminino
A primeira roda de conversa teve início às 16h e abordou o tema “Mulheres na Cultura Reggae: A Voz que Resiste”, ressaltando a trajetória e a contribuição das mulheres no movimento reggae. A segunda conversa, programada para ocorrer às 18h, teve como tema “Violência de Gênero: O Reggae como Bandeira de Luta”, propiciando diálogos sobre conscientização e transformação social por meio da cultura.
O presidente da APCREGGAE, DJ Vitor Pedra, enfatizou a importância das mulheres na cena reggae em Belém do Pará, destacando seu papel histórico e de resistência na difusão dessa cultura na Amazônia. “Mulheres têm sido fundamentais na consolidação do movimento reggae na cidade”, afirmou.
Um dos exemplos mencionados por Vitor é Bebel Chaves, considerada a primeira radialista a difundir o reggae no Brasil. Há mais de 34 anos, Bebel contribui para a valorização do gênero e atualmente apresenta o programa “Aparelhagem Reggae” na Rádio Unama, que vai ao ar todos os sábados, das 13h às 14h.
Iniciativas Sociais no Movimento Reggae
Além do trabalho na comunicação, as mulheres também lideram iniciativas sociais significativas dentro do movimento reggae. DJ Vitor Pedra cita grupos como Ladys do Reggae e o Grupo União Solidária, que promovem eventos e ações comunitárias, fortalecendo tanto a cultura reggae quanto a solidariedade nas periferias.
Socia Soares, uma das pioneiras na coleção de discos de vinil de reggae, também foi lembrada por sua contribuição na propagação do gênero no Brasil. Nos palcos, a presença feminina se destaca com DJs como DJ Cleide Roots e Carol C, assim como diversas cantoras que integram bandas locais, amplificando a voz feminina no cenário musical.
Reggae como Instrumento de Luta e Conscientização
De acordo com Vitor Pedra, o reggae sempre foi uma ferramenta ligada às lutas por justiça social, igualdade e libertação. Essa conexão com as causas sociais o torna um importante instrumento para a luta das mulheres, especialmente das mulheres negras. Artistas como Rita Marley, Barbara Jones e Marcia Griffiths tiveram papéis fundamentais na construção desse movimento, assim como Célia Sampaio e Marina Peralta, que utilizam a música como forma de conscientização e transformação social.
O 29º Festival Tributo a Bob Marley está agendado para acontecer em 17 de maio de 2026, em Belém, com uma organização baseada na construção coletiva. Para apoiar o festival, um bingo será realizado em 18 de abril, no Point Beer, localizado em Icoaraci. O Dia Nacional do Reggae, celebrado em 11 de maio desde 2012, homenageia o legado de Bob Marley, e o evento deverá ocorrer no espaço Ver-o-Rio.
