Experiência Gastronômica Durante o Ramadã
São Paulo, uma metrópole marcada pela diversidade cultural, se transforma em um verdadeiro mosaico de sabores e tradições no mês sagrado do Ramadã. O restaurante Make Hommus Not War é um exemplo perfeito dessa fusão, oferecendo um menu especial de iftar, a refeição que rompe o jejum diário muçulmano ao pôr do sol. O chef Fred Caffarena, especializado em gastronomia mediterrânea oriental, cria uma experiência única que vai além do paladar e envolve a alma.
Até 19 de março, o chef apresenta, de terça a sexta-feira, uma refeição que promete surpreender. Com reservas necessárias, os jantares acontecem entre 18h e 19h, buscando reproduzir a essência das refeições tradicionais do Ramadã em um ambiente acolhedor e convidativo.
O Ritual do Iftar e Seus Sabores
A recepção no iftar começa com a tradição: água e tâmaras untadas em azeite e gergelim são servidas como um símbolo da generosidade da natureza. Essa entrada marca o início da quebra do jejum de forma ritualística. Depois, o restaurante oferece seu famoso hommus, que é uma mistura única onde o grão-de-bico é frito para criar uma textura crocante, acompanhado do Ramazan, um pão típico da época, salpicado com sementes de papoula.
A salada Shirazi, composta por uma refrescante combinação de tomate, pepino, cebola, ervas e menta, precede a sopa, que varia a cada dia. O prato principal, chado Maqluba, é um clássico do Levante que combina arroz basmati, especiarias e castanhas. Na ocasião da nossa visita, o chef preparou uma saborosa linguiça de cordeiro, mas há também opções para os vegetarianos.
Dessertes e Encerramento com Café
A sobremesa do iftar é sempre uma atração à parte. O cardápio pode incluir delícias como o maamoul de sêmola recheado com tâmaras ou a burma, que consiste em massa kadaif com pistache, imersa em uma calda doce de açúcar e especiarias. Na nossa experiência, um sorvete com frutas amarelas e calda de misk, uma seiva vegetal amplamente utilizada na culinária árabe, encantou os paladares. Para finalizar, um autêntico café turco da torrefação Pato Rei ou um chá de hortelã com limão e especiarias é servido.
Uma Celebração Cultural e Convivial
O que vai além do cardápio é a proposta de vivenciar um momento cultural extremamente significativo. Durante o Ramadã, os muçulmanos praticam jejum diário do nascer ao pôr do sol, dedicando-se à espiritualidade, oração e solidariedade. Ao entardecer, o iftar não é apenas uma refeição; é uma celebração coletiva que une famílias, amigos e comunidades em torno da mesa.
Essa ideia de união está intrinsecamente ligada à filosofia do Make Hommus Not War. Fundado por Fred Caffarena em colaboração com a jornalista e gastróloga Talita Silveira, o restaurante é conhecido como a primeira “homuseria” do Brasil, cujo objetivo é elevar o hommus à condição de estrela principal do cardápio. O nome do restaurante é uma adaptação do famoso lema pacifista da década de 1960: “Faça amor, não faça guerra”. Essa mensagem ressoa fortemente, promovendo a alimentação como uma linguagem que une as pessoas.
Em um mundo repleto de divisões culturais, compartilhar uma refeição se destaca como uma das formas mais autênticas de construir laços e promover a paz. O Make Hommus Not War se estabelece, assim, como um espaço onde a gastronomia se torna um ato de harmonia e convivência.
