Na contramão dos apelos de Trump
No último domingo, 15 de março de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se dirigiu a repórteres a bordo do Air Force One, enquanto se deslocava para West Palm Beach, Flórida. Durante a viagem, Trump fez um apelo para que países europeus enviassem navios militares ao Estreito de Ormuz, uma área estratégica para a navegação mundial e onde cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente transita. Entretanto, na manhã desta segunda-feira, 16 de março, pelo menos três nações do continente, incluindo Alemanha, Itália e Grécia, manifestaram sua negativa em participar dessa iniciativa.
O presidente norte-americano havia solicitado que aproximadamente sete países colaborassem enviando embarcações de guerra para assegurar a continuidade do tráfego no estreito, especialmente em meio ao aumento dos preços do petróleo, impulsionado pela recente escalada de tensões com o Irã.
Pressão sobre NATO e busca por coalizão
Em uma entrevista ao jornal “Financial Times”, Trump direcionou pressão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), instando a aliança a empenhar recursos militares para a segurança da via marítima. “Esses países precisam proteger seus próprios territórios, pois a situação no estreito não afeta diretamente os Estados Unidos, que possuem suas próprias fontes de petróleo”, afirmou o presidente, ressaltando que a China depende significativamente do Estreito de Ormuz, recebendo cerca de 90% de seu petróleo pela região.
Trump não se comprometeu a revelar quais países estão em conversação com os Estados Unidos para formar uma coalizão de patrulhamento, mas enfatizou a necessidade de apoio internacional no controle da área. “Ter outros países colaborando conosco seria vantajoso, e estamos dispostos a ajudar”, declarou ele.
Reações do Irã e do mercado
Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, comunicou à CBS que vários países já buscaram Teerã para garantir a passagem segura de suas embarcações. Araghchi destacou que o estreito permanece aberto para navios de diversas nações, exceto para os Estados Unidos e seus aliados. Ele também afirmou que “não há razão para dialogar com os americanos” sobre a cessação das hostilidades, aludindo a ataques coordenados entre Israel e EUA como responsáveis pela escalada do conflito.
Em meio a esse cenário tenso, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, comentou em entrevista à NBC que mantém diálogo com algumas das nações que Trump mencionou. Ele expressou a expectativa de que a China atue como “um parceiro construtivo” no que diz respeito à reabertura do estreito, embora os países ainda não tenham assumido compromissos definitivos.
Expectativas de novas coalizões
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, participou de discussões com Trump sobre a importância de reabrir o estreito para mitigar as interrupções no comércio marítimo global. Paralelamente, a França busca desenvolver uma missão internacional para escoltar navios através da região, mas impôs a condição de que isso só aconteceria “quando as circunstâncias permitirem”, ou seja, com a redução dos combates.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, foi categórico ao afirmar: “Estamos longe de nos tornarmos parte ativa deste conflito”. A tensão continua a aumentar, à medida que a Agência Internacional de Energia reportou que estoques emergenciais de petróleo devem ser lançados nos mercados globais em resposta à crise, com ênfase na liberação de quase 412 milhões de barris.
Impactos da guerra na região
Os recentes conflitos no Irã resultaram em novos ataques aéreos e por drones, afetando países árabes do Golfo, como Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein. Teerã, por sua vez, acusou os EUA de ataques direcionados e ameaçou retaliar contra infraestruturas ligadas aos interesses americanos na região. O U.S. Central Command não comentou sobre as alegações iranianas, enquanto autoridades dos Emirados rechaçaram as acusações de que seu território teria sido utilizado para operações militares contra o Irã.
Os impactos da guerra já são sentidos, com relatórios de mortes de civis e danos significativos em várias localidades. A situação continua a se agravar, com cada vez mais pessoas fugindo de áreas de conflito e um crescente número de vítimas em diversos países da região.
