Chegada do NAsH “Anna Nery” marca avanço na saúde fluvial da Amazônia
Com o lema “Saúde a quem precisa”, o Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) “Anna Nery” chegou a Belém após concluir sua construção em Manaus, no Estaleiro Bibi. A capital do Pará será a base operacional dessa embarcação que reforçará os cuidados à saúde oferecidos pela Marinha do Brasil (MB) às populações ribeirinhas da Amazônia Oriental, sob responsabilidade do Comando do 4º Distrito Naval (Com4ºDN).
Atuação especializada e alcance ampliado nos rios da Amazônia
Primeiro navio da Marinha a receber nome feminino em sua história recente, o “Anna Nery” foi projetado para navegar pelos rios amazônicos, oferecendo atendimentos de média complexidade a comunidades com acesso limitado a serviços de saúde. Sua área de atuação inclui os rios Amazonas, Tocantins, Xingu e Tapajós, além dos municípios do Arquipélago do Marajó.
Com calado de aproximadamente 2,4 metros, a embarcação consegue navegar em regiões de baixa profundidade, chegando a locais remotos e ampliando o alcance das ações assistenciais da Marinha. A expectativa é que o navio realize mais de 40 mil atendimentos anuais, beneficiando milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Estrutura hospitalar moderna e tripulação preparada
O “Anna Nery” conta com uma das mais completas estruturas hospitalares embarcadas da Marinha na região, com 25 compartimentos dedicados exclusivamente às atividades assistenciais. Entre as facilidades disponíveis estão seis consultórios para atendimento clínico geral, pediatria, ginecologia, oftalmologia e odontologia; sala de curativos e coleta de exames; laboratório de análises clínicas; salas de mamografia, raio-X e ultrassonografia; além de sala para procedimentos invasivos de pequena complexidade e leito de internação.
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A embarcação possui também farmácia, central de material esterilizado e áreas para triagem e armazenamento de medicamentos e insumos médico-hospitalares. Com autonomia para até 20 dias sem reabastecimento de água e combustível, o navio pode permanecer em missões prolongadas com apoio logístico, e sua autonomia para medicamentos chega a 45 dias.
A tripulação é composta por 47 militares — sete Oficiais e 40 Praças — e pode receber mais 21 profissionais voluntários, civis ou militares, incluindo médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outros especialistas.
Presença feminina e compromisso com as comunidades ribeirinhas
A participação das mulheres na tripulação do “Anna Nery” é um marco significativo. A Cabo Enfermeira Camila Batalha destacou a importância de seu papel na missão, ressaltando a satisfação em levar saúde para as comunidades ribeirinhas da Amazônia e a dedicação necessária para cumprir essa tarefa.
Já a Marinheira Ana Constâncio, formada na Escola de Aprendizes de Marinheiro de Pernambuco em 2025, vê na experiência uma oportunidade de crescimento profissional e pessoal. Ela ressalta a abertura da Marinha do Brasil para a atuação feminina e o impacto simbólico da embarcação, que leva o nome da enfermeira Anna Nery, uma referência histórica na área da saúde.
Parcerias estratégicas ampliam o alcance dos atendimentos
Além da atuação da Marinha, as operações hospitalares a bordo do “Anna Nery” contam com apoio de instituições públicas e privadas, potencializando o alcance dos serviços oferecidos às comunidades. Olinda Cardoso Guedes, da ONG Amigos Voluntários do Pará, que integra a comissão “Chance para Todos”, destaca a importância do navio para ampliar os atendimentos na região.
O Promotor de Justiça do Pará, Nadilson Portilho Gomes, também elogia a parceria entre a Marinha e órgãos públicos, ressaltando o papel essencial da instituição na prestação de serviços e no fortalecimento da cidadania na Amazônia.
Um novo capítulo para a assistência hospitalar na Amazônia Oriental
O Vice-Almirante Adriano Marcelino Batista, comandante do Com4ºDN, enfatizou que a chegada do “Anna Nery” complementa a atuação do NAsH “Sargento Lima”, incorporado em 2025 e focado em atendimentos primários. O “Anna Nery” ampliará a capacidade de atendimentos especializados de média complexidade na região.
Para o Vice-Almirante, a chegada do navio representa a realização de um sonho antigo e amplia estrategicamente a capacidade de atendimento às populações ribeirinhas. Ele desejou vida longa e sucesso à embarcação, enfatizando o impacto positivo que o navio terá para as comunidades da Amazônia Oriental.
