Avanços e Desafios na Agenda Climática da Indústria
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou, nesta quarta-feira (4), em Brasília, os desdobramentos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorreu em Belém (PA). Além disso, a entidade discutiu as expectativas do setor produtivo para a COP31, marcada para acontecer na Turquia. O evento, intitulado “Pós-COP30: o papel da indústria na agenda de clima”, contou com dois painéis temáticos que abordaram os avanços e os desafios enfrentados nessa área.
De acordo com a CNI, a conferência trouxe uma nova percepção sobre a participação da indústria nas questões ambientais. O setor produtivo, que antes era visto como um entrave, agora é reconhecido como um agente essencial na busca por soluções para a crise climática. A secretária-executiva da COP30, Ana Toni, destacou que um dos legados mais importantes do encontro foi a colaboração entre os setores público e privado. “O Brasil se uniu, com a participação da sociedade civil e movimentos sociais, para mostrar seu potencial como provedor de soluções climáticas”, afirmou.
Além disso, Toni ressaltou que o multilateralismo tem operado em consenso, promovendo articulações entre países por meio de coalizões, como a Sustainable Business COP (SB COP), uma iniciativa lançada pela CNI para articular ações de sustentabilidade do setor privado e apoiar as negociações climáticas da ONU.
Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI, complementou afirmando que “o multilateralismo é um caminho para construir um planeta mais justo e com futuro”.
A COP da Implementação e seus Marcos
O vice-presidente da CNI, Marcelo Thomé, caracterizou a COP30 como um “marco na história das conferências sobre o clima”, referindo-se a ela como a “COP da implementação”. Entre os avanços discutidos, destacam-se o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que visa atrair investimentos para a conservação e restauração de ecossistemas fundamentais para a estabilidade climática, e a Coalizão Aberta dos Mercados Regulados de Carbono. Esta última é uma iniciativa liderada pelo Brasil, com apoio da União Europeia e de países como China, Canadá e México, cujo objetivo é acelerar a descarbonização da economia e auxiliar nas metas climáticas nacionais.
Thomé enfatizou que “o combate ao aquecimento global requer cooperação e ações coordenadas, realistas e ambiciosas”. Ele ainda destacou a necessidade de acelerar iniciativas e elaborar um plano robusto, visando que o Brasil chegue à COP31 com conquistas que contribuam para o cumprimento das metas climáticas internacionais.
A SB COP e seu Papel na Sustentabilidade
A SB COP, que já reuniu empresas de mais de 60 países em seu primeiro ano, é considerada uma das principais iniciativas empresariais voltadas para a agenda climática. Ricardo Mussa, chair da coalizão, mencionou que o foco agora é implementar ações e ampliar influências, anunciando planos para criar uma “SB COP local” que fortaleça a atuação no Brasil.
O High-Level Climate Champion da COP30, Dan Ioschpe, ressalvou que o setor produtivo não é um mero espectador na transição climática, mas sim um protagonista, e mencionou resultados práticos oriundos do evento. Ele citou três frentes principais: o setor elétrico, onde a Utilities for Net Zero Alliance elevou a meta de investimentos para US$ 148 bilhões por ano, totalizando US$ 1 trilhão até 2030; os mercados de carbono, que estabeleceram princípios para liberar US$ 50 bilhões anuais em financiamento climático; e um projeto brasileiro, o Laneshift e-Dutra, que visa a implantação de mil caminhões elétricos e infraestrutura de recarga entre Rio e São Paulo até 2030, com potencial para evitar a emissão de 75 mil toneladas de CO₂ por ano.
Expectativas para a COP31 na Turquia
A CNI afirma que as expectativas do setor produtivo para a COP31 são de continuidade do trabalho iniciado em Belém. O embaixador da Turquia no Brasil, Halil Ibrahim Akça, disse que o país se esforçará para que a próxima conferência também se concentre na implementação, priorizando resiliência climática, economia circular e inovação verde. “A capacidade inovadora do setor privado será fundamental”, destacou.
Em parceria com a Turquia, a Austrália também desempenhará um papel importante nas negociações. A embaixadora australiana no Brasil, Sophie Davies, elogiou a diplomacia climática do Brasil e enfatizou que “a COP31 será avaliada não pela retórica, mas pelos resultados efetivos”.
Com isso, a indústria brasileira se prepara para chegar à COP31, na Turquia, com resultados concretos em mãos, incluindo um roteiro para a erradicação do desmatamento e a transição para fontes de energia mais sustentáveis. Com essa estratégia, a CNI busca transformar a confiança no multilateralismo em uma política contínua de desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
