Gastronomia como Conector Cultural
No último dia do Fórum Internacional de Gastronomia, realizado em Macau dentro da Festa Internacional das Cidades de Gastronomia, a diretora da UNESCO, Denise Bax, enfatizou a importância da gastronomia como uma maneira de promover o diálogo internacional. O evento, que teve início na sexta-feira e se estenderá até 29 de março, conta com a participação de quase 40 Cidades Criativas da Gastronomia de várias partes do mundo, incluindo cidades portuguesas como Santa Maria da Feira e Matosinhos, além de brasileiras como Belém, Belo Horizonte, Florianópolis e Paraty.
Bax destacou que a gastronomia transcende o simples ato de comer, envolvendo nossas tradições culinárias, a convivência familiar e a identidade cultural. “Promover a gastronomia é também apoiar agricultores, produtores e as indústrias criativas que a cercam”, afirmou, sublinhando que isso é fundamental para o desenvolvimento sustentável.
A Importância do Compartilhamento de Experiências
A dirigente da UNESCO ressaltou que a essência da Rede das Cidades Criativas da UNESCO reside na partilha de experiências e ideias, que são cruciais para moldar um desenvolvimento urbano sustentável focado na gastronomia. O exemplo do desperdício alimentar foi um dos temas abordados, especialmente em tempos em que as questões ambientais exigem atenção redobrada. “Essa é uma preocupação global que deve ser discutida em toda a cadeia alimentar”, acrescentou Bax.
À luz das tensões geopolíticas contemporâneas, Bax argumentou que a gastronomia pode atuar como uma ponte para o diálogo internacional, promovendo não apenas a criatividade, mas também a oportunidade de aprendizagem mútua entre as culturas. “As Cidades Criativas da Gastronomia têm o potencial de servir como plataformas valiosas para o diálogo intercultural”, enfatizou.
O Papel das Cidades Criativas da Gastronomia
O programa das Cidades Criativas da UNESCO, que visa a contribuição da cultura e da criatividade para o desenvolvimento, é uma oportunidade para que diferentes agentes sociais colaborem em prol de um futuro mais sustentável e inclusivo. “A rede tem o poder de unir pessoas de diversas origens e criar um impacto significativo em suas comunidades”, disse Bax, com otimismo sobre o futuro das cidades criativas.
Desde sua criação em 2004, a Rede de Cidades Criativas da UNESCO já conta com 408 cidades distribuídas por mais de cem países, incluindo 14 brasileiras. Cidades como Óbidos, Amarante, Leiria, Braga e Covilhã estão entre as que fazem parte desta rede, cada uma contribuindo para a diversidade cultural global.
Um Olhar para o Futuro
Denise Bax também informou que em breve será publicado um estudo que analisará como a designação de uma Cidade Criativa pode resultar em impactos concretos nas localidades. A expectativa é de que esses dados ajudem a entender melhor o valor que a gastronomia pode trazer para a sociedade. Desde 31 de outubro de 2017, Macau se destaca como uma Cidade Criativa da UNESCO na área da Gastronomia, sendo a terceira cidade da China a receber essa distinção, após Chengdu e Shunde.
