Dicas Essenciais para um Financiamento Seguro
Vídeos que têm feito sucesso nas redes sociais revelam um padrão comum: um vendedor de carros usados utiliza uma caneta para destacar valores e condições de financiamento em um papel. Do outro lado, o cliente escuta atentamente termos como entrada, parcelas e prazos. A negociação muitas vezes se estende com ajustes nas taxas e descontos, até que ambas as partes selam o acordo com um firme aperto de mãos.
Entretanto, muitos internautas têm expressado sua indignação nos comentários, questionando a quantia que os consumidores acabam pagando, que em muitos casos ultrapassa o valor real do veículo. Um usuário comenta: “O carro custa R$ 50 mil, mas não mencionaram que os R$ 35 mil financiados poderiam se transformar em mais de R$ 70 mil.” Outro afirma: “Cai quem quer, mas em momento algum foi esclarecido que seriam 60 parcelas de R$ 1.200, totalizando R$ 72 mil.”
Embora o formato desses vídeos seja atrativo, especialistas alertam que, mesmo que não haja irregularidades explícitas, esse tipo de negociação pode ser confuso para o consumidor, dificultando a compreensão do custo total do financiamento.
Nesta reportagem, o g1 aborda as obrigações dos vendedores na hora de apresentar um financiamento, os direitos do consumidor e como calcular o custo real de um empréstimo, evitando que um mau negócio aconteça ao adquirir um carro usado.
Daniel Ribeiro, vendedor que aparece nos vídeos, foi entrevistado para compartilhar sua perspectiva sobre as negociações que realiza.

Direitos do Consumidor na Hora de Financiar
Segundo o advogado Jefferson Leão, da Poliszezuk Advogados, “o consumidor tem o direito de receber informações claras e adequadas sobre todos os aspectos relevantes da contratação, incluindo preço, encargos, juros e o custo efetivo total (CET) do financiamento.”
O CET é fundamental, pois revela o valor real do financiamento, incluindo juros, tarifas e impostos. O advogado ressalta que é ilegal omitir informações durante a negociação verbal, apresentando-as apenas no contrato, pois isso pode confundir o consumidor. Portanto, todos os custos devem ser evidentes durante toda a negociação e na documentação.
Leão acrescenta que o vendedor também é responsável por fornecer informações completas sobre o veículo à venda. “Caso o vendedor não informe sobre o estado do carro ou descumpra garantias, isso pode ferir as normas de proteção ao consumidor. O cliente tem o direito de exigir o cumprimento da oferta ou a rescisão da compra,” completa Joana D’Arc Pereira, assessora técnica do Procon-SP.
Além disso, a venda casada, que envolve a imposição de um seguro específico da loja, também é considerada uma prática abusiva.
O Que Fazer se Você Se Sentir Lesado?
Se um consumidor se sentir enganado durante a negociação, ele pode buscar reparação na Justiça. Arystóbulo Freitas, advogado, explica que o cliente pode solicitar a revisão do contrato, especialmente se os valores acordados não corresponderem ao que foi apresentado. O ideal é que o consumidor mantenha toda documentação e anotações feitas durante a negociação.
Além disso, o advogado destaca que a rescisão do contrato e a restituição dos valores pagos são direitos do consumidor, podendo incluir até indenização por danos morais, principalmente se houver engano significativo.
Não é necessário comprovar a intenção de engano do vendedor; se a forma como o negócio foi apresentado confundir o cliente, isso já é motivo para reclamação.
Embora a persuasão comercial seja permitida, ela deve ser exercida com transparência e boa-fé. Quando essas diretrizes não são seguidas, pode haver responsabilização civil e revisão do contrato.
Cuidados na Hora de Financiar um Veículo
Os especialistas também destacam que é fundamental ter cuidado ao financiar um veículo para evitar problemas financeiros no futuro. Wanessa Guimarães, planejadora financeira, alerta que o ideal é não comprometer mais de 30% da renda líquida mensal com todas as dívidas. Para o financiamento do carro, recomenda-se que o valor não ultrapasse 15% da renda, considerando os custos adicionais como seguro e manutenção.
Uma entrada maior pode reduzir o total de juros pagos, mas a profissional adverte que esgotar todas as economias para isso apresenta riscos, pois imprevistos podem levar a atrasos de pagamento.
A planejadora ainda ressalta que o Custo Efetivo Total (CET) deve ser um foco principal na hora de financiar. Uma pequena variação na taxa de juros pode impactar significativamente o total a ser pago. Ela aconselha que a pergunta ao banco não deva ser apenas sobre a taxa de juros, mas sim sobre qual é o CET.
Além disso, o prazo do financiamento deve ser considerado, já que prazos mais longos geralmente resultam em maiores custos com juros.
A Versão do Vendedor
Em entrevista, Daniel Ribeiro, vendedor nos vídeos comentados, esclarece que fornece o CET a seus clientes através de documentos do banco. “Eu não vendo dinheiro, vendo carros. O CET contém todos os encargos e taxas, e o cliente assina eletronicamente,” afirma. Ribeiro também destaca que cada negociação é individual, enfatizando que a transparência sempre faz parte do seu método.
Checklist para Comprar um Carro Usado
Antes de finalizar a compra de um carro seminovo, considere as seguintes orientações:
- Solicite um laudo cautelar para verificar a origem do veículo.
- Avalie o estado dos pneus e interior do carro.
- Verifique a originalidade das peças.
- Realize um teste de condução.
- Peça informações sobre as revisões anteriores.
- Cheque a bateria e sua condição.
- Inspecione a carroceria para identificar ferrugem.
- Observe a pintura em luz natural.
- Assegure que itens obrigatórios estejam presentes.
- Verifique os cintos de segurança para garantir sua integridade.
- Considere levar o carro a um mecânico de confiança.
- Atenção à garantia legal, que cobre vícios ocultos.
- Certifique-se do estado do óleo do motor.
- Verifique as borrachas das portas.
Essas dicas são cruciais para garantir uma compra segura e evitar surpresas indesejadas no futuro.
