A Educação Pública em Belém em Debate
Apesar de toda a propaganda do governo do Pará, a situação da educação pública na região contrasta fortemente com os discursos oficiais. Para cada nova escola anunciada como “em tempo integral”, existem outras duas ou três que sucumbem ao abandono, sem cronogramas, obras ou explicações.
Um caso emblemático é o da Escola Professora Celina Anglada, situada na travessa Liberato de Castro, no bairro do Guamá, em Belém. Moradores relatam uma realidade alarmante: o prédio está em estado de abandono, com sinais evidentes de depredação, acúmulo de lixo e presença de ratos, além de águas paradas em seu entorno. Este cenário se torna particularmente grave, especialmente durante o inverno amazônico, criando um ambiente propício para a proliferação de doenças. No ano de 2025, o Guamá registrou 278 casos de dengue, uma situação alarmante que poderia ser evitada.
Promessas que não se Transformam em Ações
No site da Secretaria de Educação do Pará, a escola é apresentada como parte de um projeto grandioso: a demolição e reconstrução quase integral do prédio, financiada por um empréstimo de US$ 100 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento. Contudo, na prática, a escola permanece fechada e em deterioração.
A “Celina Anglada” foi inaugurada em 2009, durante o governo de Ana Júlia Carepa, mas desde sua inauguração, apresentou problemas estruturais graves. Construída abaixo do nível da rua, o imóvel logo começou a alagar. Apesar das promessas de novas licitações e investimentos adicionais de R$ 1,5 milhão, a situação nunca se concretizou.
Em 2019, após inspeção da Auditoria Geral do Estado, a escola foi interditada devido a riscos significativos para alunos, professores e funcionários. O relatório destacou a falta de alvará de funcionamento e a ausência do “habite-se” do Corpo de Bombeiros, evidenciando a negligência das autoridades.
Condições Precárias e Realocação de Alunos
Com a interdição da escola, os alunos foram deslocados para locais improvisados. Parte deles ocupa um espaço compartilhado com uma panificadora na mesma travessa, enquanto outros foram enviados à Escola Barão de Igarapé Miri, na alameda Mamoré. Em meio a essa situação, o prédio original, que deveria passar por reformas, se tornou um esqueleto urbano, acessível a todos e sem qualquer tipo de monitoramento. Sete anos se passaram, e a obra sequer teve uma ordem de serviço emitida.
Descaso e Questões de Saúde Pública
Conforme estipulado pelo contrato de empréstimo nº 106/2018, firmado ainda no governo de Simão Jatene, a empresa Multisul Engenharia deveria ter reformado as salas de aula e construído banheiros, além de promover adequações para conforto ambiental. Contudo, nada do que foi planejado saiu do papel. O que se observa, na verdade, é a água parada dentro da escola, contribuindo para o agravamento da situação.
O abandono da “Celina Anglada” tornou-se um problema que vai muito além da educação. Agora, é uma questão de saúde pública. Um prédio abandonado, situado em uma área residencial, pode se transformar em um foco potencial de dengue, leptospirose e outras doenças, caracterizando uma situação de negligência por parte das autoridades. Pais, responsáveis e moradores estão exigindo respostas, respeito e a adoção de medidas urgentes. Até o momento, no entanto, o que receberam foram promessas vazias e cronogramas virtuais, enquanto a obra parece existir apenas nos registros digitais.
No Guamá, o tempo não para, a água continua a se acumular e a escola permanece fechada.
Pontos Importantes na Atualidade
O bispo de Ponta de Pedras, Dom Teodoro Mendes, toma posse como novo bispo da Diocese de Santiago de Cabo Verde, na África, em uma cerimônia programada para 3 de maio, onde estarão presentes bispos da CNBB regional e nacional. Dom Teodoro, nomeado pelo Papa Leão XIV, assume o posto que era ocupado pelo Cardeal Furtado, agora emérito.
Além disso, um projeto de lei recente, de autoria do deputado Duda Ramos, busca proibir por até cinco anos a assinatura de novos contratos de aluguel por inquilinos que abandonarem animais de estimação ao deixarem imóveis. A proposta implica multas e responsabilização pelo resgate dos animais.
Por último, o Ministério da Saúde informou que ainda não há casos confirmados do vírus Nipah no Brasil, assegurando que o País mantém protocolos de vigilância epidemiológica em vigor. A avaliação continua a ser realizada, com atenção especial ao pós-Carnaval.
