Operação da PF em Belém
Uma operação da Polícia Federal (PF) realizada em Belém, na última segunda-feira (16), levantou sérias suspeitas sobre a atuação de deputados federais do Pará. Segundo reportagem do jornalista Lauro Jardim, publicada no jornal O Globo, o documento apreendido cita os nomes de pelo menos quatro parlamentares da região. A ação resultou em uma apreensão significativa de R$ 500 mil em dinheiro e na prisão de três indivíduos, incluindo um servidor da Casa Civil do governo estadual.
A planilha, que foi confiscada durante a operação, associa os deputados a valores expressivos, que vão de R$ 100 mil a R$ 538 mil. Os parlamentares mencionados incluem Raimundo Santos (PSD), Henderson Pinto (MDB), Keniston Braga (MDB) e Olival Marques (MDB), todos aliados do governador Helder Barbalho (MDB). Curiosamente, não foram encontradas informações sobre a origem ou a finalidade dos valores listados no documento.
Valores e Municípios Relacionados
De acordo com a reportagem, o maior valor registrado, que totaliza R$ 538 mil, está associado ao nome de Raimundo Santos. Henderson Pinto aparece na lista com R$ 485 mil, enquanto Olival Marques e Keniston Braga estão ligados a valores de R$ 139 mil e R$ 100 mil, respectivamente. A planilha também menciona órgãos públicos, como a Secretaria de Turismo (Setur), além de municípios paraenses como Bagre, Curralinho, Bujaru e Muaná, que também apresentam cifras associadas.
Apesar de seus nomes figurarem no documento apreendido, até o momento, os deputados não são considerados investigados no relatório da Polícia Federal. Keniston Braga expressou surpresa ao tomar conhecimento da informação e afirmou desconhecer tanto o documento quanto os participantes da operação. Por sua vez, Raimundo Santos classificou a menção a seu nome como “muito estranha” e negou ter direcionado emendas parlamentares para eventos culturais no estado. Os demais deputados ainda não se pronunciaram sobre a situação.
Esquema de Lavagem de Dinheiro
A operação, que resultou na apreensão do documento, foi desencadeada após a identificação de movimentações financeiras suspeitas. Um dos detidos, Ronaldy Rian Moreira Gomes, foi flagrado sacando R$ 500 mil em espécie em uma agência do Banco do Brasil e, em seguida, dirigindo-se para um veículo blindado onde se encontrava o empresário Felipe Linhares Paes. Durante a abordagem policial, o empresário tentou evadir-se e, segundo a PF, chegou a apontar uma arma para os agentes.
As investigações indicam a possibilidade de um esquema de lavagem de dinheiro, utilizando “laranjas” para ocultar patrimônio e movimentar recursos de forma ilícita. A empresa associada ao empresário possui contratos que totalizam aproximadamente R$ 3,8 milhões com a Fundação Cultural do Pará (FCP), os quais foram firmados sem licitação. A presença de um servidor da Casa Civil durante a abordagem levanta ainda mais suspeitas sobre possíveis conexões com agentes públicos.
Pelo Rigor da Lei
A Polícia Federal considera que o caso reúne elementos suficientes para investigar crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa, corrupção ativa e passiva, além de resistência à prisão e porte ilegal de arma de fogo. Embora a planilha apreendida ainda não tenha sido interpretada em sua totalidade, ela pode se tornar um elemento crucial na investigação, ampliando o escopo político do caso e levando a um aprofundamento das apurações.
