Conflito nas Galerias do Congresso Durante o Estado da União
O deputado democrata Al Green, do Texas, gerou polêmica ao segurar um cartaz com a frase “negros não são macacos” durante o discurso do presidente Donald Trump, que ocorreu na terça-feira (24) na Câmara dos Deputados. O protesto se deu em resposta a uma recente postagem do ex-presidente Trump, onde ele sobrepôs o rosto do ex-presidente Barack Obama a um corpo de macaco em um vídeo, amplamente criticado nas redes sociais.
O discurso, tradicionalmente conhecido como o “Estado da União”, é um evento que ocorre anualmente e, neste caso, marca as expectativas de Trump para mobilizar sua base eleitoral à medida que se aproxima as eleições de meio de mandato, programadas para 3 de novembro. Durante essas eleições, toda a Câmara dos Deputados será renovada, enquanto um terço das cadeiras do Senado também estará em disputa.
No contexto atual, as duas Casas do Congresso estão sob controle do Partido Republicano, o mesmo de Trump, que expressou preocupação com as pesquisas que indicam que o governo pode perder pelo menos uma das casas legislativas.
Na abertura de seu discurso, Trump exalta as conquistas de seu governo e afirma que os “Estados Unidos estão de volta, maiores, melhores, mais ricos e mais fortes do que nunca”. Ele criticou a administração do presidente Joe Biden, alegando ter herdado um país em crise. “Posso afirmar, com dignidade e orgulho, que testemunhamos uma transformação sem precedentes, uma virada que ficará gravada na história”, declarou Trump.
No que diz respeito à economia, o presidente destaca a queda da inflação, o aumento da renda e a recuperação econômica, além de ressaltar que a produção de energia dos Estados Unidos está em níveis recordes. Ele também reafirma seu discurso rígido sobre a imigração e a segurança nas fronteiras, ao mesmo tempo em que faz um convite a aqueles que desejam viver legalmente no país. “Sempre permitiremos a entrada legal de pessoas que amam nosso país e se esforçam para mantê-lo”, assegura Trump.
Trump também deve abordar as questões de política externa, citando a recente trégua na Faixa de Gaza e a atuação dos EUA em relação ao Irã. Além disso, ele planeja discutir o aumento das tensões no Oriente Médio, afirmando que, como presidente, busca promover a paz, mas não hesitará em agir contra ameaças à América.
Outras menções em seu discurso devem incluir ações militares no hemisfério ocidental e iniciativas contra o narcotráfico, com Trump afirmando que os Estados Unidos estão “restaurando a segurança e a predominância americana” na região. A economia, um tema central no discurso, está em destaque, dado que muitos americanos enfrentam dificuldades com o custo de vida. Trump culpa problemas econômicos à administração Biden, enfatizando que as condições das famílias estão melhorando.
“À medida que avançamos, fábricas, empregos e trilhões de dólares continuarão a fluir para os Estados Unidos, pois finalmente temos um presidente que prioriza a América”, disse ele em um trecho vazado do discurso. Além disso, a imprensa americana informou que Trump utilizará a ocasião para criticar uma decisão da Suprema Corte que anulou tarifas que ele havia imposto, com base em uma legislação de 1977.
A política anti-imigração, um dos pilares de seu governo, não ficará de fora do discurso, especialmente após recentes protestos provocados pela morte de dois cidadãos americanos durante operações de agentes federais. Trump também deve abordar uma série de outras propostas durante seu discurso, como um acordo para que empresas de tecnologia paguem tarifas de eletricidade mais altas que operam data centers, aumento no financiamento militar, e a aprovação de uma lei que exija documentos de identidade para o voto, além de mencionar recordes nas bolsas de valores e defender cortes de impostos.
