Motivos da Demissão e o Papel da MM Quarter
Na noite da última quarta-feira (25), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, anunciou a demissão do secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho. A decisão ocorreu em meio a investigações que apuram a denúncia de contratos milionários firmados entre a SPTuris e a MM Quarter Produções e Eventos, empresa sob responsabilidade de Nathalia Carolina da Silva Souza, ex-sócia de Marinho. O coronel Salles, atual subprefeito da Sé, assumirá a presidência da SPTuris, substituindo Gustavo Pires.
A denúncia inicial foi veiculada pelo portal Metrópoles, que revelou que a Controladoria Geral do Município (CGM) iniciou a investigação a pedido do próprio prefeito. Desde 2022, a MM Quarter, a empresa em foco, firmou 19 contratos com a SPTuris, totalizando mais de R$ 229 milhões em quatro anos. Em meio a essa situação, a MM Quarter defendeu sua posição, afirmando que as alegações não refletem a realidade.
Contratos e Relações Comerciais
Um dos contratos atualmente ativos refere-se à contratação de guias de turismo bilíngues para atender turistas durante o carnaval de rua de São Paulo, com um valor estimado de R$ 9,4 milhões. É relevante notar que Nathalia foi sócia minoritária de Rodolfo Marinho na Legiscom Publicidade e Consultoria LTDA, que prestou serviços eleitorais a políticos locais. O vínculo entre eles remonta a experiências profissionais comuns, inclusive no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes em 2017.
Os contratos da MM Quarter com a SPTuris aumentaram significativamente após a nomeação de Marinho como secretário de Turismo. Detalhes levantados mostram que Nathalia se tornou a única proprietária da MM Quarter apenas 13 dias antes da oficialização da nomeação, levantando suspeitas sobre a natureza dos vínculos comerciais entre os dois. A empresa, que antes se dedicava a serviços de manutenção, alterou sua atuação para eventos, coincidindo com a ascensão de Marinho.
Desdobramentos da Investigação
A investigação da CGM destaca que a MM Quarter passou a obter contratos maiores com a SPTuris após a nomeação de Marinho. Registros públicos revelam que Nathalia registrou mudanças na sociedade da empresa antes de Marinho assumir o cargo. Embora tenha mudado a razão social e ampliado a atividade da empresa, o endereço registrado permaneceu inalterado por um extenso período, levantando mais questionamentos.
Parlamentares da oposição, como o vereador Nabil Bonduki, solicitaram investigações ao Ministério Público sobre possíveis fraudes e o uso de empresas como “laranjas”. A situação culminou em pedidos de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo, com o intuito de investigar os contratos da SPTuris com a MM Quarter.
A Resposta da MM Quarter
Em resposta às acusações, a MM Quarter emitiu uma nota enfatizando que não possui sócios ocultos e que todos os vínculos estão devidamente registrados na Junta Comercial. A empresa também se defendeu de alegações sobre a residência de Nathalia, contestando a veracidade de informações que a colocavam em um imóvel na Vila Sabrina, contradizendo suas declarações de residência.
A investigação continua e, conforme a gestão municipal, a apuração é abrangente e visa elucidar quaisquer irregularidades atribuídas a agentes públicos e empresas envolvidas. O prefeito Ricardo Nunes reiterou sua determinação em garantir a transparência e a legalidade nas operações da prefeitura.
Reações e Implicações Políticas
As descobertas suscitaram reações acaloradas entre os parlamentares da oposição, que enfatizam a magnitude dos contratos e a necessidade de uma fiscalização rigorosa. De acordo com a vereadora Luana Alves, a suspeita de uso de empresas “laranjas” e possíveis favorecimentos indica falhas graves na administração pública, exigindo uma resposta contundente da gestão municipal.
Com a investigação em andamento, a situação levanta questões sobre a relação entre política e negócios na gestão pública de São Paulo, além de evidenciar a importância da transparência e da responsabilidade na administração dos recursos públicos.
