Ações de Conscientização Sobre o Autismo
“Uma ação muito boa, realmente importante. O tema precisa ser mais discutido e a atividade foi acolhedora.” Essa é a avaliação de Roberta Smith, uma moradora de Belém, que participou das atividades organizadas pela Policlínica Metropolitana em referência ao mês de conscientização sobre o autismo, conhecido como Abril Azul.
Roberta, que já tinha algum conhecimento sobre o assunto, afirmou que a iniciativa ajudou a ampliar sua compreensão. “Aprendi várias coisas que não sabia, especialmente sobre como identificar e entender melhor o autismo”, contou. A dedicação da equipe também chamou sua atenção. “Fiquei encantada com o empenho dos profissionais em cada detalhe. A decoração da unidade estava linda e acolhedora, desde a entrada até os consultórios”, completou.
As ações integram a programação desenvolvida pelo Grupo de Trabalho de Humanização (GTH) da Policlínica, que inclui palestras educativas voltadas para os usuários. A programação será encerrada nesta quinta-feira (10) com uma roda de conversa destinada aos colaboradores.
Importância da Informação na Inclusão
Durante as atividades, a psicóloga Lorena dos Santos enfatizou o papel fundamental da informação no combate ao preconceito e na promoção da inclusão. “A conscientização é essencial para aumentar o conhecimento da população sobre o Transtorno do Espectro Autista, reduzindo estigmas e promovendo a inclusão. Quando a sociedade entende melhor o tema, há mais respeito pelas diferenças e maior acolhimento às pessoas autistas e suas famílias”, explicou.
Para Lorena, a abordagem utilizada nas ações buscou tornar o assunto mais acessível ao público. “Realizamos uma explanação breve, de maneira acolhedora, apresentando informações básicas sobre o autismo. Promovemos também interações com os usuários, por meio de uma dinâmica de ‘mitos e verdades’, estimulando a participação e facilitando o esclarecimento de dúvidas”, detalhou.
Entre as principais dúvidas levantadas pela população, destacam-se questões sobre diagnóstico e sinais precoces. “As perguntas mais frequentes envolvem como identificar os sinais precoces e onde buscar apoio”, informou.
A psicóloga também ressaltou a necessidade de desmistificar ideias equivocadas ainda presentes na sociedade. “O autismo não é uma doença que requer cura, mas sim uma condição de neurodesenvolvimento. O foco deve ser a inclusão, o suporte multiprofissional e a qualidade de vida. Comportamentos como estereotipias, seletividade alimentar ou crises sensoriais não são apenas ‘birras’, mas formas legítimas de regulação emocional ou expressão. Esses tabus dificultam a inclusão e reforçam preconceitos, por isso ações como esta são fundamentais”, destacou.
Atuação da Policlínica Metropolitana
A Policlínica Metropolitana, que integra a rede pública de saúde e se destaca pelo diagnóstico ágil e cuidado integral, é gerenciada pelo Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia (ISSAA) e oferece 26 especialidades médicas, além de atendimento multiprofissional e exames de diferentes complexidades em um único espaço. Essa estrutura fortalece as ações de promoção à saúde e educação em saúde.
A gerente assistencial da unidade, Kérina Quaresma, enfatiza que discutir o autismo no ambiente de saúde é vital para garantir um atendimento mais qualificado e humanizado. “Falar sobre o autismo é expandir a percepção sobre as necessidades de cada paciente. Quando os profissionais estão preparados e a sociedade mais informada, podemos oferecer um cuidado mais sensível, inclusivo e eficaz, respeitando as particularidades de cada pessoa”, afirmou a enfermeira.
Por sua vez, a gerente administrativa, Gleice Moraes, ressaltou a importância das ações promovidas pelo GTH na construção de um ambiente mais consciente e acolhedor. “Essas iniciativas são essenciais porque fortalecem o conhecimento dentro da unidade e aproximam os usuários do tema. O GTH desempenha um papel crucial ao promover debates e ações que humanizam o atendimento, estimulando a empatia e contribuindo para a qualidade dos serviços de saúde”, frisou.
A Policlínica Metropolitana faz parte da rede estadual de saúde, que está sendo ampliada pelo Governo do Pará para atender melhor as pessoas com autismo. Com a recente adição de sete unidades especializadas no estado, a estratégia visa descentralizar o cuidado e garantir a contínua qualificação dos profissionais de saúde. “Promover saúde é essencialmente promover informação”, concluiu Moraes.
