Percepções Controversas sobre Trump
Uma nova pesquisa divulgada pela Conferência de Segurança de Munique aponta que os brasileiros estão entre as populações das grandes economias que mais acreditam que as políticas de Donald Trump são benéficas para o mundo. Aproximadamente um em cada três brasileiros (34%) compartilha dessa opinião, ficando atrás apenas dos cidadãos dos Estados Unidos (37%) e da Índia (36%). Este estudo foi realizado em novembro de 2025, antes do aumento das operações de imigração do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), e incluiu entrevistas com pessoas de países do G7, assim como do Brasil, Índia, China e África do Sul.
Entretanto, não é um consenso. Pelo menos metade dos brasileiros (50%) não vê as políticas de Trump como favoráveis nem para o Brasil nem para o mundo. Este percentual se assemelha ao encontrado nos Estados Unidos, onde 50% também desaprovam a gestão do republicano. Somente China (46%) e Índia (44%) apresentaram índices menores de reprovação.
Visão sobre Políticas Nacionais
Quando indagados se achavam que as políticas de Trump eram boas para o Brasil, 30% dos brasileiros concordaram com a afirmação, posicionando o país como o terceiro em concordância. Contudo, 53% dos entrevistados mostraram-se em desacordo. O relatório ressalta que, no último ano, a diplomacia brasileira enfrentou consideráveis desafios para manter relações saudáveis com os EUA. De acordo com o documento, muitos que inicialmente viam Trump com otimismo acabaram vivendo experiências que os levaram a reavaliar sua posição. O Brasil e a Índia, por exemplo, enfrentaram altas tarifas impostas pelos EUA, o que afetou suas economias.
Trump, que iniciou seu segundo mandato em janeiro de 2025, afirmou que não necessitava do Brasil. Seis meses depois, ele manifestou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, agora preso em Brasília, e impôs sanções que abalaram a colaboração econômica entre os dois países, uma relação que já dura mais de dois séculos.
Recentemente, a Casa Branca aplicou sanções ao ministro Alexandre de Moraes do STF e à sua esposa, com base na Lei Magnitsky, que sanciona supostos violadores de direitos humanos. Essas sanções estavam previstas para serem retiradas em dezembro do ano passado, mas a tensão nas relações continuou. A situação começou a se amenizar após o encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que sinalizou um potencial alívio nas tensões.
Preocupações no Canadá e Europa
Enquanto o Brasil apresenta pontos de vista mistos em relação ao ex-presidente, a situação é diferente em países como Canadá, Alemanha e França, onde há uma preocupação significativa com as políticas de Trump. Entre os canadenses, o índice de desaprovação chega a 77%, refletindo uma deterioração nas relações entre os dois países desde que Trump assumiu seu segundo mandato. O governo canadense, sob a liderança de Mark Carney, busca estabilizar a relação e diminuir a dependência comercial em relação aos Estados Unidos.
Na Europa, a insegurança provocada pela agressão russa tem gerado um sentimento de vulnerabilidade, especialmente com a redução da presença militar americana. Analistas alertam que a retirada gradual dos EUA das responsabilidades de segurança no continente expõe as fraquezas militares da Europa. A chefe de política da Conferência de Segurança de Munique, Nicole Koenig, enfatiza que a defesa do continente, assim como o apoio à Ucrânia, se tornou uma responsabilidade prioritária dos próprios europeus.
Homens Demolidores e Desafios à Ordem Internacional
O relatório também menciona a ascensão de líderes, como Trump, que preferem desmantelar instituições ao invés de reformá-las. Ele aponta figuras como o presidente argentino Javier Milei e o bilionário Elon Musk, que cultivam um ambiente de ruptura radical. A análise ressalta que essa tendência, se não for contida, pode levar sociedades democráticas a um ponto crítico.
Durante a última Conferência de Segurança de Munique, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, indicou que a principal ameaça à Europa não está na Rússia ou na China, mas sim em uma suposta censura a partidos de ultradireita, como a Alternativa para a Alemanha (AfD). A próxima edição da conferência ocorrerá de 13 a 15 de fevereiro, em um contexto de alta tensão entre EUA e Europa, especialmente após as declarações de Trump sobre a Groenlândia.
