Movimento Incomum de Milionários Buscando Segurança
O agravamento do conflito no Oriente Médio gerou uma movimentação inesperada em Dubai, um dos mais importantes centros financeiros e turísticos do Golfo. Com a escalada das hostilidades, marcada por bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra alvos ligados ao Irã, a preocupação com novos ataques fez com que muitos estrangeiros e milionários residentes nos Emirados Árabes Unidos começassem a buscar rotas de saída do país. Relatos indicam que alguns estão pagando quantias que podem chegar a centenas de milhares de dólares para garantir voos privados e rotas consideradas mais seguras.
A partir do último sábado, os Emirados Árabes Unidos foram alvo de uma série de ataques que contaram com mais de 800 drones e cerca de 200 mísseis. Essa onda de ofensivas resultou em pelo menos três mortes e assinalou uma das fases mais intensas das represálias iranianas, desencadeadas após a morte do líder supremo do Irã, Ali Hosseini Khamenei, em operações militares coordenadas por Washington e Tel Aviv.
A escalada militar afetou diretamente a percepção de segurança em Dubai, que, há décadas, se firmou como um refúgio para milionários, empresários e celebridades, atraídos por impostos baixos, estabilidade política e um ambiente favorável aos negócios. Contudo, o recente cenário de insegurança, com drones e mísseis cruzando os céus da região, alterou essa imagem.
A crescente tensão levou a elite internacional a buscar uma saída imediata. O fechamento parcial do espaço aéreo dos Emirados, acrescido das restrições nas rotas comerciais, fez com que voos privados e trajetos alternativos se tornassem extremamente concorridos. Em algumas situações, famílias desembolsaram valores superiores a US$ 200 mil (aproximadamente R$ 1 milhão) para deixar o país.
Êxodo de Residentes e Milionários de Dubai
Dentre aqueles que decidiram partir está Evrim, uma cidadã turca que vive em Dubai com o marido e dois filhos. Ela compartilhou que a decisão de deixar a cidade foi tomada após uma explosão, provocada por destroços de um míssil, que atingiu um hotel de luxo nas proximidades de sua residência em Palm Jumeirah, um famoso arquipélago artificial símbolo de ostentação. “Quando vimos o fogo, dissemos: ‘Ok, é hora de ir embora’”, revelou. A família pagou cerca de US$ 200 mil para embarcar em um voo a partir de Mascate, a capital do sultanato vizinho de Omã, com destino a Genebra, na Suíça. Para chegar ao aeroporto, tiveram que dirigir por cerca de seis horas pelo deserto. O principal motivo da saída, segundo Evrim, foi a segurança das crianças. “Estamos muito nervosos, especialmente por causa delas. Quando ouviram o som da explosão, ficaram assustadas”, contou.
Além disso, Evrim expressou temores de que a saída do país pudesse se tornar ainda mais difícil caso o conflito se intensificasse, especialmente se a Arábia Saudita, que controla grande parte do espaço aéreo regional, acabasse se envolvendo diretamente na guerra.
Temores e a Busca por Segurança
Dubai, com seus parques temáticos imponentes, hotéis luxuosos, o arranha-céu mais alto do mundo e até um shopping com pista de esqui coberta, construiu uma imagem de cidade blindada contra as turbulências do Oriente Médio ao longo das últimas décadas. No entanto, a intensificação da guerra ameaça esse status de porto seguro que fez do emirado um dos destinos preferidos de bilionários e investidores de todo o mundo.
