Custo de Produção Dispara e Demanda Aumenta em Meio à Instabilidade no Mercado Global
O CEO da Karex, Goh Miah Kiat, revelou que a empresa está considerando um aumento de até 30% no preço de seus preservativos devido aos altos custos de produção, que dispararam desde o início do conflito no Irã, em 28 de fevereiro. Em entrevista a veículos como Reuters e Bloomberg, Goh expressou preocupação com o impacto da guerra nas cadeias de suprimento.
A Karex, sediada na Malásia, é uma das maiores fabricantes de preservativos do mundo, produzindo mais de 5 bilhões de unidades anualmente. Seus produtos abastecem grandes marcas internacionais, como Durex e Trojan, além de serviços de saúde pública, como o NHS britânico. No Brasil, os preservativos da marca Prudence são fabricados pela Karex.
Desde que o Irã respondeu aos ataques aéreos dos EUA e de Israel, o fornecimento global de petróleo foi severamente afetado. As ameaças iranianas de atacar embarcações no estreito de Ormuz resultaram em uma interrupção do tráfego marítimo, prejudicando ainda mais as cadeias de suprimentos em todo o mundo. Aproximadamente 20% do petróleo bruto e gás natural liquefeito (GNL) mundial circula por essa região.
A Karex depende de vários materiais derivados do petróleo, incluindo amônia, essencial para a conservação do látex, e lubrificantes à base de silicone. Goh destacou que, além do aumento dos custos, a demanda por preservativos cresceu cerca de 30% neste ano, impulsionada pela incerteza econômica que afeta muitos. “Em tempos difíceis, o uso de preservativos se torna ainda mais necessário, uma vez que as pessoas se preocupam com o futuro, como a possibilidade de não terem empregos no próximo ano”, explicou Goh à Bloomberg.
O aumento no preço dos preservativos não é um fenômeno isolado. A guerra entre os EUA e o Irã tem causado uma série de impactos no mercado global, refletindo-se em aumentos significativos nos preços de passagens aéreas e de outros produtos essenciais. Uma pesquisa recente apontou que as tarifas econômicas de voos estão, em média, 24% mais caras do que no ano passado.
Além disso, fatores como a interrupção de embarques pelo golfo Pérsico resultaram em aumentos nos preços de fertilizantes e medicamentos, bem como na escassez de hélio, vital para a fabricação de chips de computador. A Organização das Nações Unidas (ONU) sublinhou que cerca de um terço dos fertilizantes do mundo, incluindo ureia, potássio, amônia e fosfatos, transita pelo estreito de Ormuz.
No início deste mês, a ONU alertou sobre a expectativa de que os preços de alimentos como açúcar, laticínios e frutas também subam, em decorrência do aumento nos custos de transporte, que estão atrelados ao conflito. A produção global de medicamentos, incluindo analgésicos, antibióticos e vacinas, também corre risco, uma vez que um terço das matérias-primas necessárias passa pela mesma via.
A indústria de água engarrafada não escapa dessa pressão, com fabricantes enfrentando dificuldades para garantir as matérias-primas necessárias à produção. Enquanto isso, as negociações de paz entre os EUA e o Irã continuam incertas. Na quarta-feira (22/4), o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo entre os países seria estendido até que ocorressem avanços nas conversas, mas sem especificar um novo prazo para a duração do acordo.
Recentemente, Trump havia estabelecido um prazo de duas semanas para o primeiro cessar-fogo, que seguiu um período de declarações contraditórias sobre o andamento das negociações. Em algumas entrevistas, o presidente afirmou que as discussões estavam progredindo, mas também alertou que poderia retomar a guerra se o Irã não se mostrasse disposto a negociar. Assim, o cenário permanece volátil, com o impacto da guerra se estendendo além do setor energético e afetando diretamente os consumidores de diversos produtos essenciais.
