Riscos à Saúde com a Água das Bicas de Piracicaba
Recentemente, testes realizados nas sete bicas de Piracicaba, São Paulo, mostraram que a água que flui dessas fontes é imprópria para o consumo humano e animal. O Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) emitiu um alerta, ressaltando os riscos à saúde associados à ingestão dessa água.
Apesar da advertência, muitos moradores continuam utilizando a água das bicas para beber e cozinhar. Segundo o médico infectologista Tufi Chalita, consumir essa água pode expor as pessoas a parasitas, além de aumentar o risco de micoses e diarreias, sem contar outras comorbidades virais e bacterianas. “Os riscos são múltiplos. A água pode estar contaminada com fezes, o que a torna bastante perigosa. As pessoas que buscam essa água muitas vezes acreditam que se trata de uma água mineral, mas, na verdade, está contaminada e não é segura para uso humano”, comentou o especialista.
Conforme informações do Semae, mesmo diante da contaminação, não há planos para o fechamento das bicas devido a considerações ambientais, já que a autarquia não tem autorização para alterar o curso natural das águas.
Contaminação Confirmada e Consequências
Em outubro do ano anterior, foi revelado que cinco bicas públicas de Piracicaba já estavam contaminadas por coliformes fecais — bactérias que indicam a imprópria qualidade da água para consumo. Agora, com novas análises, foi confirmado que todas as sete bicas apresentam água imprópria.
O biólogo Ivan Canale, que atua no Semae, explica que a água dessas fontes não recebe tratamento e não contém cloro, essencial para a segurança do consumo. “A ausência do cloro facilita a proliferação de bactérias, sendo assim, sempre recomendaremos o uso de água tratada e clorada. A água das bicas, por não conter cloro, é extremamente arriscada”, destacou Canale.
Moradores Ignoram Alertas e Continuam a Consumir Água das Bicas
Mesmo com os avisos de contaminação, muitos moradores insistem em buscar água nas bicas. Tatiane Leal, de 57 anos, relata que bebe a água da bica no bairro Santa Olímpia desde a infância e nunca enfrentou problemas de saúde. “Minha mãe sempre tomou essa água. Inclusive, quando vamos à praia, ela leva um galão dessa água, pois não confia na água da torneira”, afirmou Tatiane.
João Barreto, um aposentado que reside em frente a uma das bicas no bairro Nhô Quim, comenta que a prática de buscar água nas bicas é bastante comum. “É muita gente que vem pegar água aqui. Eu moro aqui há 45 anos e sempre utilizei essa água”, disse.
Processo de Análise e Monitoramento da Água
A EPTV, emissora afiliada da TV Globo, acompanhou de perto o processo de análise da água das bicas. Mensalmente, a equipe do Semae coleta amostras com recipientes de cerca de 100 ml da água para análise em laboratório. Após a coleta, as amostras são submetidas a testes que incluem aquecimento em um equipamento específico.
Se a amostra se mantiver incolor, isso indica a ausência de coliformes totais e de E. coli. Contudo, se a amostra apresentar coloração amarelada, é sinal de contaminação por coliformes. Para diferenciar a presença da E. coli, as amostras são analisadas sob luz UV, onde a fluorescência azul indica a presença de bactérias coliformes e E. coli.
