Uma Revolução no Acesso à Água Potável
A rotina dos 198 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) São José, localizada na comunidade da ilha Grande em Belém (PA), passou por uma transformação significativa com a implementação de um sistema inovador de aproveitamento de água pluvial purificada. Essa iniciativa não apenas promove saúde, dignidade e sustentabilidade, mas também se destaca como uma solução prática em um contexto onde o acesso à água potável é um desafio constante.
O sistema, que fornece água tratada para os bebedouros e na cozinha, é parte do programa Água para Todos, uma ação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas). Durante a entrega de garrafinhas ecológicas aos alunos, Rodolpho Zahluth Bastos, secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental, enfatizou a importância da iniciativa para a comunidade, ressaltando que essas garrafinhas incentivam os alunos a levar a água potável para casa, ampliando o impacto do projeto.
A proposta vê a água da chuva não apenas como um recurso a ser explorado, mas como uma resposta viável a uma realidade amazônica onde comunidades estão cercadas de água, mas enfrentam dificuldades para acessar água de qualidade. “O programa Água para Todos surge da realidade amazônica, onde muitos habitantes vivem próximos a fontes hídricas, mas sem acesso a água potável. O projeto proporciona dignidade e justiça hídrica, assegurando o acesso a água de qualidade”, declarou Rodolpho Zahluth Bastos.
O Sistema de Purificação de Água
Na Emef São José, a infraestrutura inclui três cisternas com capacidade total de 15 mil litros e um reservatório elevado de mil litros, que armazena a água a ser tratada sem a adição de produtos químicos. O processo de purificação é realizado através de filtros que garantem a potabilidade da água, a qual é utilizada em pontos estratégicos da escola.
Simeia Domingos, engenheira civil da Startup Pluvi, explicou que o dimensionamento do sistema varia de acordo com a demanda e a área de captação, sendo que no caso da escola, foram considerados 300 m² de telhado. O fluxo de trabalho começa com a separação da água inicial, que “lava” o telhado, em um reservatório, sendo que a água limpa segue para as cisternas e depois para o reservatório elevado. Após esse armazenamento, a água passa pelo sistema de filtragem e tratamento, tornando-se apta para o consumo.
O secretário Rodolpho destacou a escolha das escolas como foco prioritário do projeto, afirmando que isso amplia o alcance social das políticas públicas. “Ao atender as crianças, estamos alcançando também as suas famílias. A instalação em escolas é uma estratégia essencial para garantir segurança hídrica e desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Impacto na Comunidade e na Economia Local
O programa não se limita às escolas, mas também abrange uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e empreendimentos de sociobiodiversidade, totalizando 10 sistemas de captação e tratamento de água já instalados. Rodolpho mencionou que essa iniciativa também beneficia as mulheres extrativistas, que podem usar a água potável para a produção de óleos de andiroba, promovendo a bioeconomia e o fomento à sociobiodiversidade.
Luciene Rocha, coordenadora da escola, destacou os efeitos positivos dessa mudança. “Os alunos terão acesso a uma água mais limpa e potável em suas refeições. Essa água, com certeza, é mais renovável comparada ao que utilizávamos antes”, afirmou. A implementação deste sistema não só melhora a qualidade de vida dos alunos, mas também reflete um compromisso com a saúde e o bem-estar da comunidade.
Com informações da Semas PA
