Tensão militar no Oriente Médio
A crise entre Estados Unidos e Irã intensificou-se no início de janeiro, quando o ex-presidente Donald Trump fez ameaças de ataques ao governo iraniano em resposta à repressão de manifestantes. Desde então, a atenção americana se volta para o programa nuclear do Irã, o qual os EUA exigem que seja limitado ou encerrado.
Enquanto Teerã afirma que seu programa possui fins pacíficos, Washington acusa o país de tentar desenvolver armas nucleares. Além disso, os EUA estão preocupados com a capacidade de mísseis balísticos do Irã e seu apoio a grupos armados no Oriente Médio.
O Irã, por sua vez, condiciona qualquer avanço nas negociações à redução de sanções impostas pelos Estados Unidos, demonstrando disposição para restringir seu enriquecimento de urânio, mas defendendo que as conversas se limitem ao tema nuclear. Nos últimos dias, ocorreram três rodadas de conversas, com a última realizada em Genebra no dia 26. Uma nova reunião está agendada para a próxima semana em Viena.
Desdobramentos militares
Ainda que as negociações estejam em andamento, a troca de ameaças entre EUA e Irã se acirrou. Em janeiro, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln ao Oriente Médio, afirmando que a intenção era monitorar o Irã de perto. Recentemente, um segundo porta-aviões, o USS Gerald R. Ford, também foi enviado para a região. Este navio, que havia monitorado operações na Venezuela, já se encontra próximo à costa de Israel.
Com essa movimentação, os EUA reforçaram seu arsenal militar na área, somando-se aos navios de guerra e bases já existentes. Atualmente, os americanos controlam pelo menos 10 bases em países vizinhos ao Irã, além de manter tropas em outras nove localidades.
O cerco militar é ilustrado por um infográfico que detalha as posições das embarcações e locais com presença militar americana na região.
O USS Abraham Lincoln: um gigante dos mares
O USS Abraham Lincoln, porta-aviões com capacidade para até 5.500 tripulantes, pode lançar até quatro aviões por minuto, sendo equipado com lançadores de mísseis e metralhadoras. Conhecido como um “aeroporto flutuante”, o navio abriga diversos esquadrões, incluindo caças F-35 Lightning II e F/A-18 Super Hornet, podendo transportar até 90 aeronaves, entre aviões e helicópteros. A força-tarefa está acompanhada por três outros navios: USS Spruance, USS Frank E. Petersen Jr. e USS Michael Murphy.
Antes de ser enviado ao Oriente Médio, o USS Abraham Lincoln esteve envolvido em manobras no Mar do Sul da China e já atuou em outras ocasiões na região, como na guerra do Afeganistão e em operações contra o grupo rebelde Houthi.
O USS Gerald Ford e a escalada da tensão
O segundo porta-aviões enviado, o USS Gerald Ford, é o maior do mundo e foi incorporado à Marinha americana em 2017. Com capacidade para transportar até 90 aeronaves, seu convés de pouso é equivalente a três vezes a área do Maracanã. Este porta-aviões vem participando de operações contra o tráfico internacional de drogas no Caribe antes de ser designado para a missão no Oriente Médio.
A pressão sobre o Irã se intensificou em fevereiro, com imagens de satélite mostrando atividades em bases militares americanas na região. Além do envio dos porta-aviões, também foram deslocados caças e sistemas de defesa aérea. O objetivo dos EUA é garantir uma postura militar forte, enquanto analistas se preocupam com a possibilidade de um conflito maior.
Possíveis ataques e respostas do Irã
De acordo com o jornal The Guardian, Trump deve tomar decisões sobre possíveis ações militares contra o Irã baseadas em avaliações de seus enviados. Fontes indicam que o presidente considera operações limitadas para pressionar Teerã, mas também pode optar por uma campanha mais ampla visando a derrubada do regime do aiatolá Ali Khamenei.
Por outro lado, o Irã já declarou que responderá de forma “feroz” a qualquer ataque, mesmo que em pequena escala, e tem sinalizado sua disposição para atingir bases militares americanas na região. Esta escalada de tensões com a possibilidade de operações militares iminentes traz à tona velhos medos de um conflito armado no Oriente Médio.
Na contramão, Trump desmentiu informações sobre esses planos de ataque, mas a pressão sobre sua administração para agir está clara. O cenário atual revela uma complexa rede de interesses, que envolve não apenas o Oriente Médio, mas oscilações geopolíticas em várias frentes.
