O Papel do Sobrevivente Designado na Política Americana
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um evento marcado para 6 de fevereiro de 2026 — Foto: REUTERS/Ken Cedeno
Durante os discursos que reúnem a cúpula do governo dos EUA, uma pessoa é escolhida para não participar do encontro. Essa figura é conhecida como o sobrevivente designado, responsável por assumir a presidência em caso de uma catástrofe que elimine toda a cúpula governamental.
Na terça-feira (24), Donald Trump realizará o tradicional “Discurso sobre o Estado da União”, um evento anual no qual o presidente delineia suas prioridades e objetivos para o governo. Com a presença de Trump e dos congressistas, a maioria dos altos funcionários do governo estará no Capitólio, em Washington, durante o discurso.
No entanto, um membro da cúpula ficará de fora, afastado em um local secreto e seguro, cumprindo a função do sobrevivente designado. Este cargo tem uma origem intrigante, remontando à Guerra Fria, quando foi criado para assegurar a continuidade do governo em situações extremas, como atentados terroristas ou desastres cataclísmicos.
Como é Feita a Escolha do Sobrevivente Designado?
A seleção do sobrevivente designado ocorre todos os anos, destacando um membro da cúpula do Executivo que não participará de discursos presidenciais que envolvem todos os integrantes do governo. O discurso de Trump não será exceção. Normalmente, como o vice-presidente e os presidentes das casas legislativas estão sempre presentes, o escolhido para ser o sobrevivente designado é geralmente alguém de posição inferior na linha de sucessão presidencial.
Esse designado é então retirado da capital e levado a um local secreto, onde permanece sob intensa proteção até que o evento se conclua. A linha de sucessão presidencial nos Estados Unidos inclui mais de uma dezena de nomes. A prática de escolher um sobrevivente designado começou na década de 1950, em meio à Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética.
No caso de morte ou incapacitação do presidente, o vice-presidente assume imediatamente. Se o vice não estiver disponível, a presidência passa ao Presidente da Câmara dos Deputados, seguido pelo presidente “pro tempore” do Senado e, depois, pelos secretários do Executivo, começando com o secretário de Estado e seguindo por outras posições como o secretário do Tesouro e o secretário da Defesa.
A Popularidade do Conceito
A identidade do sobrevivente designado começou a ser revelada ao público na década de 1980. Desde então, a pessoa mais alta já escolhida para essa função foi o Advogado-Geral, que ocupa o sétimo lugar na linha de sucessão. Historicamente, esse conceito fascina o público, conforme explica o historiador norte-americano Garrett Graff. Segundo ele, essa ideia combina o apelo do perigo com a narrativa romântica de um “homem comum” sendo elevado à presidência em uma situação crítica.
“A ideia de que você pode ser um oficial aleatório do gabinete e, de repente, se tornar o presidente dos Estados Unidos após uma tragédia é algo que cativa a imaginação”, afirmou Graff à agência de notícias Associated Press. Ele é autor do livro “Raven Rock: A história do plano secreto do governo dos EUA para se salvar — enquanto o resto de nós morremos”.
Essa narrativa, que parece saída de um filme, destaca a seriedade e a complexidade da linha de sucessão presidencial nos Estados Unidos, além de evidenciar a importância do sobrevivente designado na proteção da continuidade do governo em tempos de crise.
