Medidas de Apoio em Meio à Crise Energética em Cuba
A Rússia decidiu enviar petróleo bruto e combustíveis para Cuba, conforme informou um jornal russo, em um momento em que a ilha enfrenta uma severa crise de energia. Essa situação é exacerbada por um bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que dificultou a importação de petróleo da Venezuela, um importante aliado de Cuba. O governo cubano já depende drasticamente do fornecimento dessa commodity, e as tensões estão altas desde que a administração Trump intensificou as restrições, especialmente após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro.
Na última segunda-feira (9), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusou os EUA de tentarem “sufocar” a economia cubana, citando as dificuldades impostas pelo bloqueio. “A situação em Cuba é de fato crítica. Temos plena consciência disso. Mantemos contatos frequentes com nossos amigos cubanos por meio de canais diplomáticos e outros”, afirmou Peskov a repórteres.
O bloqueio do petróleo, parte de uma estratégia de pressão sobre Havana, foi justificado pelos EUA com a alegação de que Cuba representa uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional americana, embora Washington não tenha fornecido detalhes específicos sobre essa avaliação.
Medidas de Racionamento e Impactos na População
Em resposta à escassez de petróleo, o governo cubano anunciou, na sexta-feira (6), planos para racionar combustíveis na ilha. As autoridades estão priorizando o uso do combustível em serviços essenciais e setores estratégicos, enquanto tentam mitigar os impactos da crise. Essas ações incluem o fornecimento de combustível para saúde, defesa e sistemas de abastecimento de alimentos e água. Entre as prioridades também estão os setores agrícola e de turismo, segundo informações do ministro do Comércio, Oscar Fraga-Pérez. O ministro dos Transportes, Eduardo Rodríguez, assegurou que os voos, tanto nacionais quanto internacionais, continuarão a operar normalmente.
A escassez de petróleo em Cuba se intensificou desde que os EUA passaram a bloquear o envio de combustíveis após a captura de Maduro. O presidente Trump assinou uma ordem que impõe tarifas a países que exportarem petróleo para a ilha, e a recente análise da empresa belga Kpler, publicada pelo Financial Times, indicou que Cuba dispõe de petróleo suficiente para apenas 15 a 20 dias.
Para tentar contornar as dificuldades impostas pelo bloqueio, o governo cubano anunciou a descentralização das importações de combustíveis, permitindo que qualquer entidade com capacidade possa realizar essas importações. Além disso, o governo revelou que continuará a gerar eletricidade e irá reforçar os investimentos em energia solar.
Críticas e Reação Internacional
O ministro do Trabalho, Jesus Otamendiz, destacou que o plano de contingência inclui a garantia do pagamento de um salário básico aos trabalhadores estatais durante a crise. Enquanto isso, os EUA anunciaram na quinta-feira (5) o envio de US$ 6 milhões em ajuda humanitária para Cuba, com o intuito de reduzir os danos causados pelo furacão Melissa, que atingiu a ilha em outubro. Essa ação, no entanto, foi criticada pelo vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, que a descreveu como “hipócrita”.
“É bastante hipócrita aplicar medidas coercitivas draconianas, negando condições econômicas básicas a milhões de pessoas, e depois anunciar sopa e comida enlatada para poucos”, escreveu Cossio em suas redes sociais, refletindo o desalento de muitos diante da situação.
Assim, a assistência russa a Cuba surge em um contexto tenso e complicado, onde a busca por energia e recursos essenciais se torna um tema crítico para a sobrevivência da população cubana.
