Documentação pendente adia embarque de migrante em Belém
Faltando poucos dias para completar seis meses vivendo no Aeroporto Internacional de Belém, Fatmata Sessay, cidadã de serra leoa de 56 anos, continua enfrentando dificuldades para deixar o local. Seu embarque, inicialmente programado para esta segunda-feira (22), foi adiado para 15 de agosto por falta da documentação necessária, segundo informações do Ministério Público Estadual.
O promotor Nadilson Portilho explicou que a passagem teve que ser remarcada devido a pendências que envolvem a carteira de vacinação contra a febre amarela, o visto e o comprovante de renda. “Precisamos adiar por conta das documentações, mas [a passagem] pode ser antecipada, dependendo de elas serem obtidas”, declarou.
Decisão judicial cobra assistência consular para regularização
Na última sexta-feira (19), a juíza Maria Carolina Valente do Carmo, da 1ª Vara Federal Cível da Justiça Federal, acolheu pedido do Ministério Público Federal para que o governo do Pará e o Ministério das Relações Exteriores garantam assistência consular a Fatmata. O objetivo é realizar os trâmites necessários junto à representação diplomática de Serra Leoa, sediada em Washington, para a obtenção dos vistos para ingresso na Colômbia e no Panamá.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
O Itamaraty informou que, por se tratar de tema fora de sua competência principal, encaminhou o caso ao Departamento de Migrações do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), solicitando a ativação dos canais de proteção ao migrante estrangeiro para a devida assistência. O órgão ressaltou ainda que não realiza intermediação de vistos para terceiros países em favor de brasileiros ou estrangeiros.
Imigrante permanece no aeroporto por questões de segurança
Apesar da mobilização dos órgãos públicos e da decisão judicial, Fatmata optou por permanecer no aeroporto até o embarque, pois teme pela própria segurança. “Ela afirma que prefere continuar lá porque teme pela sua segurança. Estamos tentando convencê-la do contrário”, relatou o promotor Portilho.
Enquanto isso, ela dorme no saguão do aeroporto e se alimenta em um espaço de acolhimento municipal. A imigrante não conseguiu embarcar para o Panamá após ter o passaporte roubado em Belém.
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Fonte: bahnoticias.com.br
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Histórico da trajetória e dificuldades enfrentadas
Fatmata morava em São Paulo há 18 anos e saiu do país no final do ano passado com destino ao Panamá para localizar seu filho de 15 anos. Sozinha na viagem, ela relata ter sido assaltada no Peru e, com ajuda de voluntários, conseguiu continuar seu trajeto. Passou pelo Suriname antes de chegar a Belém.
Na capital paraense desde dezembro, sofreu um novo assalto, quando teve o passaporte roubado e perdeu uma passagem doada com embarque previsto para 16 de abril. As circunstâncias desse crime ainda são investigadas pela Polícia Federal, conforme informou o Ministério Público Estadual.
Condições atuais e apoio recebido
Mesmo com as adversidades, Fatmata conseguiu emitir um novo passaporte em Belém. Sem recursos para continuar a viagem, permanece morando no aeroporto. “Eu durmo aqui no chão mesmo. Durante o dia eu vou no Centro Pop [Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua] para comer e tomar banho. A prefeitura também me cadastrou no Bolsa Família”, contou.
