Problemas Estruturais e Falta de Apoio
O Centro Comercial de Belém enfrenta sérios problemas, segundo relatos de comerciantes locais. A desorganização, ruas repletas de buracos, alagamentos e a ausência de comunicação com o poder público têm gerado insatisfação. Clientes também manifestam preocupação com as condições do comércio, observando uma deterioração gradual ao longo dos anos.
Em outubro de 2025, a Prefeitura de Belém lançou o programa “Belo Centro”, que tem como objetivo reorganizar o comércio popular e revitalizar o centro histórico. A primeira fase do projeto abrange o reordenamento do comércio na Boulevard Castilhos França, onde vendedores ambulantes foram transferidos de forma temporária.
Reivindicações dos Comerciantes
Entretanto, outras áreas do Centro Comercial ainda enfrentam grandes desafios. Sônia Francys, uma trabalhadora informal com 13 anos de experiência, expressou as principais demandas dos comerciantes: “A Rua Conselheiro João Alfredo está em estado de abandono. Precisamos urgentemente de melhorias no escoamento das águas. Não temos lixeiras suficientes, e as barracas requerem padronização em tamanho e formato. Além disso, as calçadas estão muito desniveladas”.
Charles Pimentel, um ambulante que está há 33 anos no setor, também se mostrou frustrado. Ele ressalta que, há 25 anos, os comerciantes não recebem a devida atenção. “Estamos esquecidos há 25 anos. Não importa quem esteja no governo, a revitalização nunca acontece. As ruas se tornaram intransitáveis e, quando chove, tudo alaga. Não há espaço para guardar as mercadorias, e o fluxo de vendas caiu drasticamente. Sobreviver aqui se tornou uma tarefa árdua, pois não existem atrativos”.
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Fonte: agazetadorio.com.br
Necessidade de Diálogo com a Prefeitura
Diante desse cenário desolador, Marli da Conceição, também ambulante, pede uma organização da área por parte do poder público. “Gostaríamos que a Prefeitura tomasse providências, pois a situação está caótica. Precisamos, primeiramente, de uma padronização das barracas e de ajustes nas lonas. As calçadas estão repletas de buracos, causando quedas recorrentes. Quando chove, transformam-se em verdadeiros lagos”, desabafa Marli.
Ademais, ela critica a falta de diálogo entre a Prefeitura e os comerciantes. “Aqui, ninguém se comunica com a gente. Não temos informações. Apenas no final de 2025, vieram avisar sobre o excesso de mercadorias”.
Resposta da Prefeitura
A Prefeitura de Belém se manifestou por meio de uma nota, informando que está nos estágios finais de elaboração de uma proposta para o reordenamento e requalificação do Centro Histórico. “Conclusão dessa fase será seguida pela apresentação do projeto ao público, permitindo espaço para diálogo e sugestões que contribuirão para a implementação das ações”.
Além disso, a Prefeitura anunciou que, nas próximas semanas, serão divulgadas informações detalhadas sobre quais áreas históricas receberão as melhorias planejadas.
Opinião dos Clientes
Os consumidores também não ficam de fora das críticas. A doméstica Iraiar Rosa relata: “A situação do comércio é péssima. Em algumas áreas, mal conseguimos andar nas calçadas. É urgente uma melhor organização e uma maior presença da Prefeitura”.
Aurora Corrêa, atendente, sente que as condições do comércio pioraram com o tempo: “O lugar está abandonado. Sempre gostei de frequentar aqui, mas agora está complicado. Não temos espaço para nos movimentar. Anteriormente, era bem diferente. Falta organização, a situação só se agrava e ninguém faz nada”.
Adriana Silva, autônoma, expressou receios sobre a segurança ao andar pelas ruas: “Adoro o comércio, mas precisa de melhorias. O chão está cheio de buracos, o que pode causar acidentes”.
Shopping Popular: Uma Proposta Controversial
Paralelamente ao projeto “Belo Centro”, a Prefeitura anunciou a desapropriação de um imóvel para abrigar um novo shopping popular, uma iniciativa que passará por reformas para adequar o espaço para trabalhadores formalizados.
No entanto, a proposta não conta com o apoio de todos os ambulantes. Charles Pimentel acredita que o modelo fechado para vendedores não funciona em Belém. “A população está habituada a comprar nas ruas. Vários projetos semelhantes fracassaram no passado”, afirma.
Sônia Francys, por outro lado, vê potencial na ideia, desde que garantias de preservação das vendas sejam asseguradas. “Se isso significar melhorias e acessibilidade para os clientes, sou a favor. Mas me pergunto se as pessoas realmente irão ao shopping, como acontece no Largo da Palmeira”, conclui.
