Diretor do Sintsuas Aponta Falhas na assistência social
No último sábado (25/4), a capital paraense registrou um trágico incidente: o corpo de um idoso em situação de rua foi encontrado na Praça do Relógio, no bairro da Campina. Rayme Sousa, diretor do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores do Sistema Único da Assistência Social (Sintsuas) da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), destacou que o atendimento prestado pelo município para as pessoas em situação de vulnerabilidade tem se deteriorado, especialmente devido à escassez de equipamentos e condições adequadas de trabalho.
Segundo ele, a administração municipal tem dado continuidade a um processo de sucateamento da rede socioassistencial, que afeta diretamente a Funpapa. “A estrutura enfrenta problemas graves, como a falta de equipes completas, diminuição dos serviços, sobrecarga dos trabalhadores e uma lacuna em políticas contínuas e estruturadas”, afirmou. Para Rayme, a situação é preocupante e exige atenção urgente.
Vagas e Estrutura Insuficientes
Rayme Sousa ressaltou que os Serviços de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias (SAIF 1 e 2), onde deveriam estar abrigadas 90 pessoas, atualmente contam com menos de 50. Essa realidade é alarmante e reforça a ideia de que o atendimento não só é insuficiente, mas falha na garantia de direitos básicos. “Os episódios recentes de violência institucional e negligência são evidentes, criando um quadro de abandono e desproteção social”, explicou o diretor do Sintsuas.
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Além das questões relacionadas à quantidade, a estrutura da Funpapa carece urgentemente de mais vagas em abrigos e de profissionais qualificados, como assistentes sociais, psicólogos, educadores sociais e cuidadores. A falta de insumos essenciais, como materiais de higiene, roupas, alimentos e condições adequadas de trabalho, também agrava a situação. A inexistência de políticas intersetoriais eficazes, abrangendo áreas como saúde, habitação e trabalho, é outro ponto crítico, como observou Rayme.
Desvalorização Profissional e Qualidade do Atendimento
A desvalorização profissional e relatos de assédio institucional têm comprometido ainda mais a qualidade do serviço oferecido. “Esses fatores prejudicam o funcionamento da política de assistência social, resultando em um atendimento que se torna cada vez mais emergencial, sem capacidade de promover saídas efetivas para a população em situação de rua”, destacou Sousa.
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Atualmente, a rede de assistência conta com dois centros pop, dois espaços de acolhimento e um albergue, além de serviços pontuais. No entanto, Rayme enfatizou que o que realmente falta é um investimento substancial e um planejamento estruturado. “É imprescindível ampliar a rede de acolhimento, realizar concursos públicos, valorizar os trabalhadores e promover a integração com outras políticas públicas”, afirmou, alertando que sem tais medidas, a situação continuará crítica.
Ação Simbólica ou Resposta Concreta?
O Sindicato tem se manifestado sobre a discrepância entre o número crescente de demandas e o número de vagas disponíveis, evidenciando a insuficiência e o caráter meramente simbólico das ações da Prefeitura de Belém. Para Rayme, embora a reabertura de equipamentos como restaurantes populares e espaços de acolhimento seja um passo importante, isso não pode ser considerado uma solução estrutural, principalmente ao atender apenas uma minoria da população. “É urgente que as autoridades reconheçam a gravidade da situação e tomem medidas efetivas para atender a essa crise social”, concluiu.
