Denúncia de Desigualdade e Chamado à Liberdade
O papa Leão XIV, em sua visita à Guiné Equatorial, teve um encontro marcante com detentos na prisão de Bata, onde recebeu uma cruz de um prisioneiro, simbolizando a solidariedade com os que estão privados de liberdade. O evento, registrado pela Reuters, destaca a situação crítica dos direitos humanos nesse país, considerado um dos mais repressivos do mundo.
Desde 1979, a Guiné Equatorial é governada por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, o líder mais longevo da atualidade. Essa nação de língua espanhola, rica em petróleo, mantém relações estreitas com os Estados Unidos, fator que contribui para sua relevância geopolítica, apesar das duras críticas internacionais.
Na parte da manhã, Leão, o primeiro papa norte-americano, começou suas atividades com uma missa na maior igreja da África Central, localizada em Mongomo, onde denunciou a desigualdade de riquezas. Em seguida, sua visita à prisão de Bata revelou a realidade sombria em que muitos detentos vivem, frequentemente mantidos encarcerados por longos períodos sem acesso a advogados, conforme relatórios da Anistia Internacional.
Durante sua passagem pela instalação prisional, o papa escutou relatos angustiantes de prisioneiros que se reuniram em um pátio. Mesmo com a chuva que começou a cair, os detentos permaneceram firmes, expressando sua demanda por liberdade. Leão, sensibilizado pela situação, fez um apelo para que fossem tomadas medidas que garantissem aos prisioneiros oportunidades de estudo e trabalho durante o encarceramento.
Enquanto o papa se preparava para deixar a prisão, os gritos de ‘Liberdade, liberdade!’ ecoaram entre os detentos, demonstrando sua desesperada busca por justiça. O ministro da Justiça, Reginaldo Biyogo Mba Ndong Anguesomo, que acompanhava a visita, afirmou que o tratamento aos prisioneiros estava em conformidade com os direitos humanos estabelecidos pela ONU, uma alegação frequentemente contestada por grupos de direitos humanos.
Outro ponto crucial na visita de Leão foi a questão dos deportados. Recentemente, o governo de Obiang firmou um acordo com a administração Trump para aceitar imigrantes deportados de outros países. Isso gerou preocupações entre ativistas que esperavam que o papa usasse sua influência para abordar a situação desses indivíduos, que, segundo as ONGs, estão sendo forçados a retornar a países onde podem enfrentar violência ou perseguição.
No início da semana, um conjunto de 70 organizações não governamentais escreveu uma carta aberta ao papa, requisitando que ele intercedesse em favor de um ‘tratamento justo e humano’ aos deportados que chegam à Guiné Equatorial. Contudo, apesar das expectativas, Leão não fez declarações públicas sobre a situação dos deportados durante sua visita, que também incluiu Camarões, o primeiro país de sua turnê africana.
