Mãe luta por atendimento especializado para o filho recém-nascido
A angústia da maternidade tomou um novo significado para Laysa, que viu seu filho nascer na Maternidade do Povo, em Belém, no dia 21 de março, sem sequer poder segurá-lo. A situação se torna ainda mais desesperadora, pois o bebê, que necessita de cuidados intensivos, aguarda há 22 dias pela transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mesmo com uma determinação judicial. ‘Uma das experiências mais dolorosas da minha vida. Eu só quero que meu filho tenha a chance de viver’, desabafa.
A Justiça havia determinado que o recém-nascido fosse transferido para um hospital adequado e que os gastos fossem cobertos pelo Poder Público. A decisão incluía uma multa diária de R$ 2 mil em caso de descumprimento. No entanto, a esperança de Laysa se esvaiu novamente com uma nova decisão da 1ª Vara da Infância e Juventude, expedida em 14 de março, que exigia o cumprimento urgente da transferência em até 24 horas. Contudo, segundo a mãe, até agora nada foi feito.
‘Como mãe, é impossível aceitar essa situação. Não se trata apenas de um erro médico ou de uma demora, mas de abandono. Estou vendo meu filho lutar pela vida enquanto o sistema falha em cumprir o que a Justiça determinou’, desabafa, cheia de desespero.
Procuradoria-Geral do Estado se manifesta sobre a situação
A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) emitiu uma nota informando que já tomou as providências cabíveis para facilitar a transferência do paciente, acionando os órgãos competentes. No momento, o bebê permanece no Sistema Estadual de Regulação (SER), com uma busca ativa por um leito adequado.
Outro órgão procurado, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), ainda não se manifestou até a última atualização da reportagem. O Hospital Maternidade do Povo é uma instituição privada que opera em convênios e é responsável por atender pacientes particulares, de planos de saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS).
Entenda a trajetória de Laysa e seu bebê
Laysa, moradora de Capitão Poço, no nordeste do Pará, percorreu uma longa jornada até a Santa Casa de Misericórdia, a maternidade referência da rede estadual, na manhã do dia 19 de março. Com 39 semanas de gestação e sentindo dores intensas, a expectativa era que seu filho recebesse o melhor cuidado possível. No entanto, a recepção não foi tranquila. Classificada como de baixo risco, aguardou mais de 12 horas para ser atendida. ‘Me disseram que não havia problema e, por isso, fiquei internada. O bebê era considerado pequeno para a idade gestacional’, relembra.
Após um período angustiante, onde notou a diminuição dos movimentos do bebê, Laysa foi transferida para a Maternidade do Povo, onde o parto foi induzido. A cesárea ocorreu na madrugada do dia 21 de março, mas foi apenas o início de uma nova luta. O recém-nascido foi imediatamente encaminhado à UTI neonatal, e o pedido de leito especializado foi feito em 25 de março, mas até o momento não foi atendido.
‘Meu filho continua internado, sem diagnóstico claro, precisando de cuidados intensivos. Desde 6 de abril, temos recorrido e a Justiça determinou a transferência imediata para uma unidade adequada, mas essa decisão até agora não foi cumprida’, conclui Laysa, demonstrando a frustração e a impotência diante de um sistema de saúde que parece falhar em momentos críticos.
