Denúncia de Violência Repetida
Uma moradora da área onde um homem em situação de rua sofreu um ataque com arma de choque por dois estudantes de direito em Belém relatou que essas agressões se tornaram frequentes e se intensificaram desde o início de 2023. Segundo informações da polícia, os agressores foram identificados como Altemar Sarmento Filho, suposto autor das agressões, e Antônio Coelho, que filmou a cena. A universidade onde estudam informou que ambos foram afastados de suas funções. O g1 está em busca de contato com a defesa deles.
A moradora, que preferiu não ser identificada, relatou que grupos de jovens costumam chegar em carros luxuosos para atacar a vítima, lançando bombas, garrafas e jatos de extintor de incêndio. Em vídeo divulgado, é possível visualizar a violência.
Na segunda-feira (13), o Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma investigação para apurar o ataque perpetrado pelos estudantes. A moradora, que tem acompanhado a situação há meses, afirmou que os ataques são comuns desde janeiro, com os jovens gravando “trotes” à custa do homem em situação de rua.
Agressões Se Tornaram Corriqueiras
“Ver essa situação se repetir é devastador. A vida de um morador de rua ser reduzida a um objeto de ridículo em vídeos não é aceitável”, desabafou. A moradora mencionou que os episódios de violência já foram registrados em boletim de ocorrência. Residente do bairro há aproximadamente uma década, ela se lembrou de um incidente ocorrido na madrugada do dia 16 de fevereiro, onde acordou assustada com barulhos que pareciam tiros.
“Quando me dei conta, vi um carro branco avançando e as pessoas jogando uma garrafa com líquido contra o homem em situação de rua”, contou. No dia seguinte, os ataques se intensificaram. “Voltou e, dessa vez, eles riam, filmavam e cobriam o rosto. Um rapaz desceu com um extintor e começou a atacar o homem, enquanto outros gravavam tudo”, descreveu.
A vítima, segundo a moradora, enfrenta problemas de saúde mental, mas não costuma causar problemas quando não é provocado. “Essa situação me deixou muito mal. O que estão fazendo é desumano”, lamentou.
A Prefeitura de Belém, através da Secretaria Executiva de Direitos Humanos, afirmou que está monitorando o caso. A gestão municipal acionou a Polícia Civil e notificou a instituição de ensino envolvida. “A prefeitura não compactua com nenhuma violação de direitos e toma as medidas necessárias”, informou a nota oficial.
Investigação em Andamento
O homem em situação de rua foi atacado em frente a uma universidade na avenida Alcindo Cacela. Um dos agressores foi detido pela polícia, mas logo foi liberado. Imagens que circulam nas redes sociais mostram os estudantes rindo enquanto aplicam descargas elétricas na vítima em duas ocasiões distintas.
Testemunhas, como entregadores de aplicativo que passavam pelo local, tentaram socorrer a vítima, mas foram impedidos de entrar no campus da instituição pelos seguranças. O Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) lamentou a situação e garantiu suporte às autoridades na apuração dos fatos. Os estudantes foram afastados de suas atividades acadêmicas e um procedimento administrativo interno foi aberto.
A instituição também informou que as diretrizes de ética e conduta serão aplicadas para determinar as punições adequadas. A Polícia Civil revelou que Altemar Sarmento Filho foi levado à delegacia pela PM para prestar depoimento, e um boletim de ocorrência foi registrado.
MPF em Ação
Na última segunda-feira, o MPF iniciou uma apuração formal sobre as denúncias de ataque. A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no Pará, após a divulgação dos vídeos, decidiu investigar o caso. O procurador Sadi Machado solicitou informações à universidade, com um prazo de resposta de 48 horas.
Além disso, uma representação criminal será feita ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) para que o caso seja analisado na esfera penal. A situação gerou grande repercussão e levantou discussões sobre a violência contra pessoas em situação de vulnerabilidade, conforme relatado por diversas autoridades.
O ocorrido deixa claro a necessidade urgente de abordar a violência contra quem vive nas ruas e promover a dignidade humana, além de reforçar a responsabilidade das instituições de ensino na formação de cidadãos conscientes e respeitosos.
