A luta de um jornalista pela verdade
O assassinato de Paulo Fonteles, um advogado paraense defensor dos pequenos agricultores, foi um crime que chocou o Brasil e deu início a uma busca incessante por justiça. Em março de 1987, Lúcio Flávio Pinto, um destacado repórter do Pará, começou a investigar o caso que culminaria em sua própria jornada desafiadora no jornalismo. Fonteles, que havia sido preso e torturado durante a ditadura militar, foi assassinado em 11 de junho de 1987 com três tiros na cabeça, a apenas 20 km de Belém, enquanto se dirigia a uma reunião com trabalhadores rurais.
Esse crime de audácia sem precedentes, que teve como mandantes figuras poderosas na sociedade paraense, não poderia passar despercebido. Lúcio Flávio, que na época escrevia para dois dos principais jornais do estado, se viu diante de um impasse ao tentar publicar suas investigações. Ao apresentar seu texto à diretora de O Liberal, Rosângela Maiorana, ele recebeu a triste notícia de que a matéria não seria publicada devido à pressão de anunciantes influentes, envolvidos diretamente no caso.
Com isso, Lúcio Flávio tomou a corajosa decisão de lançar seu próprio jornal, o Jornal Pessoal, que, como ele mesmo descreveu, deveria ser um espaço para a verdade, sem amarras ou compromissos. Sua estreia aconteceu em setembro de 1987, e a primeira edição focou no assassinato de Paulo Fonteles, revelando um intricado esquema de corrupção e a relação entre pistoleiros e empresários da região.
