Um Mapa que Revela a Vida Selvagem
O artista britânico Anton Thomas surpreendeu o mundo com seu projeto inovador, o “Wild World”, um mapa que retrata o planeta de uma forma inusitada ao destacar 1.642 animais, ignorando fronteiras nacionais. Em uma conversa exclusiva com o portal Terra da Gente, Thomas revela que sua obra desafia a representação tradicional dos mapas, oferecendo uma nova perspectiva que conecta geografia e zoologia. “Eu desenhei o Wild World para mostrar uma visão mais selvagem e natural do nosso planeta”, explica o artista.
Segundo Thomas, muitos mapas atuais fragmentam o mundo em países, enquanto sua criação foca na biodiversidade que define a Terra. “Este mapa representa um planeta moldado pela natureza, não pelas nações”, afirma. A peça, que combina arte e educação, busca conscientizar sobre a importância da conservação ambiental, especialmente no Brasil, um país que se destaca pela sua rica fauna.
O Processo Meticuloso por trás da Arte
Embora o resultado final seja uma obra de arte visualmente cativante, o processo de criação de Thomas é fundamentado em rigor técnico. “Aproximadamente 30% do meu trabalho envolve pesquisa científica. Cada animal no Wild World é meticulosamente estudado para ser posicionado corretamente no mapa”, diz o artista. Para ser incluída, cada espécie deve ser selvagem, nativa da região e, claro, não estar extinta. “Escolher quais animais representar é uma tarefa desafiadora — a complexidade do mundo é impressionante!”, complementa.
Além da precisão científica, Thomas também busca um equilíbrio entre diferentes categorias de animais, como mamíferos, aves, peixes, répteis e insetos, levando em conta espécies culturalmente significativas e sugestões de seu público nas redes sociais.
A Fascinante Biodiversidade Brasileira
Durante a criação do mapa, o Brasil emergiu como um dos locais mais intrigantes e desafiadores para o artista. Thomas descreve o país como um território com “geografia poderosa e biodiversidade extraordinária”. Enquanto a Amazônia e o Pantanal eram esperados em sua lista, a Mata Atlântica o surpreendeu mais do que ele imaginava. “Menos de 15% das florestas originais restam, mas muitas espécies únicas ainda sobrevivem — como a preguiça-de-coleira, o mico-leão-dourado e o papagaio-de-cara-roxa”, observa.
A combinação dessa fauna singular com a beleza das serras da Mantiqueira e do Mar deixou uma impressão duradoura em Thomas. Ele expressa seu encantamento com a biodiversidade da região: “Fiquei fascinado ao aprender sobre essa diversidade… foi um lugar especialmente significativo para ilustrar”. Entre as descobertas que mais o intrigaram, ele cita o uacari-branco, um macaco de rosto vermelho da bacia amazônica, e o mico-imperador, conhecido por seu distinto “bigode” branco.
A Relevância do Desenho Manual em Tempos Digitais
Num mundo onde ferramentas digitais e inteligência artificial dominam a criação de imagens, Anton Thomas defende a importância do desenho à mão. “Desenhar à mão é um processo físico, repleto de imperfeições e características pessoais — ideal para o Wild World, porque representa um mundo tangível e orgânico”, argumenta. Ele acredita que, apesar do avanço dos celulares que facilitam a navegação, os mapas de papel nunca perderão sua relevância simbólica. “Nossa necessidade de mapas vai além da funcionalidade… Eles são sobre lugares, e lugares são fundamentais para nossa identidade”, afirma.
Para Thomas, as histórias de vida das pessoas estão intrinsecamente ligadas à geografia, entrelaçadas com a terra e o mar. Sua arte se torna uma ferramenta poderosa na luta pela conservação ambiental, ressoando a filosofia do Terra da Gente: só protegemos o que amamos, e só amamos o que conhecemos.
Celebrando a Vida Selvagem e Promovendo a Esperança
Inspirado pelo naturalista David Attenborough, Thomas busca transmitir uma mensagem de celebração e esperança em seu trabalho. “Em tempos de crise ecológica, é fácil para as pessoas se sentirem desanimadas… achando que nossas criaturas e habitats estão condenados”, comenta. No entanto, o artista descobriu que ainda há muito do mundo que permanece selvagem e precisa ser protegido, seja na Amazônia, na Grande Barreira de Corais, no Serengeti ou no Ártico.
Ao optar por não incluir animais extintos, Thomas foca no presente e na responsabilidade coletiva. “Nós, Homo sapiens, somos os guardiões da herança natural da Terra, e isso começa com a relação que cada um de nós tem com a natureza. Essa é a história que eu queria contar”, finaliza.
