Uma Ação Heroica em Leeds
Em um ato de bravura notável, Nathan Newby, um paciente de 35 anos, tornou-se o protagonista de uma história de heroísmo ao intervir para evitar um ataque terrorista em um hospital de Leeds, Inglaterra. Newby recebeu a medalha George, concedida pelo rei Charles 3°, em reconhecimento à sua coragem singular. No dia 20 de janeiro de 2023, durante a sua estadia no hospital St. James, ele passou impressionantes duas horas convencendo o ‘terrorista lobo solitário’, Mohammad Farooq, a desistir de seus planos de detonação.
“Odeio hospitais, mas naquele dia, estava ali por um motivo diferente. Não era por estar doente, mas por conta do que estava acontecendo à minha volta”, contou Newby, revelando a tensão do momento. Farooq, que trabalhava no hospital, estava prestes a fazer uso de uma bomba caseira, feita com panela de pressão e 10 kg de explosivos. Sua condenação culminou em uma pena de no mínimo 37 anos de prisão.
O Encontro Decisivo
Na ocasião, Newby estava tratando uma infecção no peito e decidiu sair para tomar um ar fresco. Ao encontrar Farooq do lado de fora da ala da maternidade, percebeu que algo estava errado. “Ele parecia deslocado, então fui verificar se estava tudo bem. Ele estava fixando o olhar em um saco a quase dois metros de distância”, relatou.
Ao se aproximar, Newby conseguiu convencer o homem a abrir o saco, revelando o material explosivo. Em comparação, a bomba que Farooq havia preparado era duas vezes maior que a usada no ataque à Maratona de Boston em 2013, que resultou em tragédias e feridos. “Pensei que não havia como sair dali, então resolvi ficar ao seu lado”, relembra Newby.
Ele continuou a dialogar com Farooq, tentando entender seus pensamentos e convencê-lo a desistir. “Se eu tivesse corrido, ele poderia entrar em pânico e tudo poderia ter terminado de forma trágica”, explica. Newby, em um momento crucial, decidiu perguntar sobre o raio de destruição que a bomba poderia causar, levando Farooq a refletir sobre suas ações.
Um Lobo Solitário com Planos Sinistros
Farooq, anteriormente auxiliar de enfermagem no hospital, foi descrito pela Justiça como um “terrorista lobo solitário autorradicalizado”. Nos dias que antecederam o ataque, ele tinha alimentado seu rancor contra colegas, planejando matar o máximo possível durante a ação. Newby descobriu que Farooq havia consumido propaganda extremista e estudado manuais sobre como fabricar explosivos.
“Quando o hospital é movimentado, as pessoas entram e saem constantemente. Naquela noite, estávamos apenas eu e ele. Não havia ninguém por perto para pedir ajuda”, contou Newby, lembrando-se da solidão do momento. Ele também soube que o homem tinha facas e uma pistola falsa, o que tornava a situação ainda mais tensa.
O Desfecho da Crise
Conforme a conversa se desenrolava, Farooq pediu um abraço a Newby, que não hesitou em aceitar. “Ele então pediu que eu ligasse para a polícia antes que mudasse de ideia”, descreve Newby. Aproveitando a situação, ele ligou para os serviços de emergência e, com astúcia, filmou parte da interação enquanto tentava ganhar tempo até a chegada da polícia.
A resposta da polícia foi rápida, e Farooq foi detido ainda do lado de fora do hospital. Segundo a Justiça, inicialmente, seu alvo era uma base militar, mas ao perceber que não poderia atacar esse local, decidiu mudar sua estratégia para o Hospital St. James, um “alvo mais suave e menos protegido”.
A juíza Cheema-Grubb elogiou Newby como um “homem extraordinário”, afirmando que seu testemunho foi um dos mais impressionantes já ouvintes no tribunal. O promotor Jonathan Sandiford afirmou que o “simples ato de bondade” de Newby “provavelmente salvou muitas vidas”.
Reflexões Sobre o Heroísmo
O superintendente Paul Greenwood, da Polícia Antiterrorismo do Nordeste da Inglaterra, destacou a singularidade da ação de Newby, afirmando que “normalmente, as pessoas não teriam coragem de agir como ele”. Newby, ao refletir sobre o ocorrido, disse que a gratificação de receber a medalha George era “muito para absorver”, mas expressou seu orgulho por ter contribuído para salvar vidas. “Algumas pessoas lidam com as situações de forma diferente, mas essa é a minha natureza”, concluiu.
