Defesa contra alegações de espionagem
A startup brasileira Alya Nanossatélites, mencionada em um relatório da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos a respeito de uma suposta tentativa da China de utilizar instalações na América Latina para fins militares, negou, nesta quinta-feira (5), qualquer tipo de fornecimento de dados ao governo chinês. O relatório, que gerou polêmica, aponta para a operação de uma rede de instalações espaciais na América Latina com possível uso militar.
A CEO da Alya, Aila Raquel, enfatizou em entrevista ao g1 que a empresa opera exclusivamente em âmbito civil e comercial. Os serviços prestados incluem registros de satélite do Brasil, voltados para monitoramento ambiental, resposta a desastres naturais e gestão territorial. “Nossos focos são totalmente civis, e estamos sempre alinhados com as legislações nacionais e internacionais”, afirmou Raquel.
O documento do Congresso dos EUA destaca a Estação Terrestre de Tucano, situada na Bahia e operada em parceria com a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology, como parte de uma rede que a China supostamente gostaria de implementar na América Latina para fins militares. Essa estação, segundo a denúncia, estaria envolvida na comunicação de dados de voz de longa duração entre espaço e Terra.
Preocupações com a presença chinesa na América Latina
O relatório da comissão do Congresso americano destaca a preocupação com a inserção da China em áreas estratégicas da América Latina, considerando a região como uma “esfera de influência” dos Estados Unidos. A Comissão Seleta da Câmara dos Representantes, responsável pelo relatório, foi criada em 2023 e reúne políticos de diversos partidos que buscam desenvolver estratégias de competição com o governo chinês.
O documento ressalta que a China está cultivando laços de cooperação científica e estratégica na área espacial com diferentes países latino-americanos, enquanto estabelece uma rede de infraestrutura que pode ser utilizada para fins militares. “Essas instalações não são meros projetos científicos isolados; elas formam uma rede integrada que fortalece a capacidade da China de monitorar e potencialmente interromper operações espaciais adversárias”, diz o relatório, que se intitula “China em nosso quintal dos fundos: volume 2 – Puxando a América Latina para a Órbita da China”.
Os deputados americanos expressam preocupação em relação à participação da China, considerando que a presença dessas instalações pode comprometer a segurança nacional dos EUA. No contexto, a Alya Nanossatélites reafirma sua postura de operar dentro dos limites legais e se colocou à disposição das autoridades para esclarecer a situação. Raquel mencionou que, até o momento, não foi contatada por membros da comissão do Congresso dos EUA.
A importância da transparência e supervisão
O relatório também aponta duas instalações em solo brasileiro que fazem parte dessa rede: além da Estação Terrestre de Tucano, um laboratório de radioastronomia na Serra do Urubu, na Paraíba. A preocupação se estende ao fato de que não é conhecido o local exato da estação de Tucano, o que levanta questões sobre a transferência de dados e a participação da Força Aérea Brasileira (FAB) no projeto.
A comissão recomenda que o governo dos EUA reforce a supervisão sobre a infraestrutura chinesa na América Latina, incluindo a revisão das leis e a reavaliação de procedimentos que possam permitir a influência da China na região. O documento também sugere que a administração de Trump trabalhe para barrar a infraestrutura espacial chinesa, considerando-a uma ameaça à segurança estratégica dos EUA.
Além disso, a comissão propõe que as agências de inteligência dos EUA realizem esforços de diplomacia para obter informações sobre as operações na América Latina, promovendo a transparência e os direitos de inspeção das instalações mencionadas no relatório.
