Impactos da COP 30 no Setor Hoteleiro de Belém
Quatro meses após a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), o setor hoteleiro de Belém está avaliando os impactos da conferência e manifestando preocupação com os resultados. Em entrevista ao Grupo Liberal, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará (ABIH-Pará), Tony Santiago, destacou que as expectativas não foram alcançadas. A cidade recebeu 1.000 novos apartamentos e 2.500 leitos para o evento, mas a taxa média de ocupação em fevereiro de 2026 foi de apenas 40%, abaixo do mínimo necessário de 50% para a viabilidade dos hotéis.
“Nossa avaliação é de que o legado prometido não se concretizou”, afirmou Santiago. Ele reconheceu que a diminuição na ocupação já era algo previsto, dado o aumento da oferta de leitos e o período chuvoso do início do ano. Contudo, os dados de março começam a mostrar uma leve recuperação, com a taxa de ocupação atingindo 50% e uma expectativa de crescimento para os próximos meses, podendo alcançar 60% no segundo semestre, impulsionado por eventos programados na capital.
Desafios e Expectativas do Mercado Hoteleiro
No Hotel em que Jeferson Medeiros, gerente de vendas, trabalha, a queda na demanda pós-COP 30 foi significativa, com uma redução de cerca de 60% nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. “Esses meses foram difíceis, mas essa queda não é incomum. O que preocupa é a falta de um crescimento da demanda”, relatou Medeiros.
Recentemente, entre março e abril, houve um leve aumento na ocupação, embora ainda não tenha atingido as expectativas criadas durante a conferência. “Historicamente, o segundo semestre tende a trazer uma demanda maior, especialmente com eventos como o Círio de Nazaré, que atraem muitos visitantes e impulsionam a ocupação”, analisou.
O Turismo de Negócios em Belém e os Obstáculos ao Lazer
Belém mantém um perfil voltado para o turismo de negócios, embora o turismo de lazer ainda não tenha apresentado um fluxo satisfatório. Apesar da visibilidade gerada pela COP 30 e a melhoria na infraestrutura gastronômica, Santiago ressaltou que a cidade enfrenta problemas, como o alto custo das passagens aéreas, que dificultam a atração de turistas.
“Belém se destacou internacionalmente, mas o retorno esperado ainda não se concretizou”, disse. Em contraste, cidades como Santarém, na região do Baixo Amazonas, vêm se fortalecendo no turismo de lazer, beneficiadas pela introdução de novos voos diretos e a chegada de navios transatlânticos.
Público e Parcerias para a Promoção Turística
No hotel representado por Medeiros, a maioria dos hóspedes é do setor corporativo, embora também haja um fluxo considerável de visitantes estrangeiros, que correspondem a cerca de 30% da ocupação. “Nosso público é majoritariamente brasileiro, mas a demanda internacional, especialmente no período da COP 30, também foi significativa”, comentou o gerente.
Para manter o legado da COP 30, Santiago enfatizou a necessidade de colaboração entre o setor público e privado na promoção de Belém como destino turístico. Ele mencionou a falta de utilização do terminal internacional de transatlânticos como uma das questões que precisam ser resolvidas. “Se não houver uma mobilização do setor público, corremos o risco de estagnar”, alertou.
Medeiros concordou com a necessidade de uma ação conjunta entre as entidades que promovem o turismo e o setor empresarial, ressaltando que as secretarias envolvidas devem trabalhar em colaboração com centros de convenções e hotéis para aproveitar o potencial positivo deixado pela COP 30.
Dados Importantes sobre o Cenário Hoteleiro em Belém
Novos apartamentos: 1.000 unidades
Novos leitos: 2.500 vagas
Ocupação em março: 50%
Viabilidade do setor: 50% de ocupação
Previsão para o 2º semestre: 60% de ocupação
