Seminário Promove Discussão em Saúde Pública
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) promoveu, na última segunda-feira, dia 23, o segundo Seminário de Vigilância do Vírus Linfotrópico de Células T Humanas (HTLV) no Pará. O evento teve como principal objetivo reforçar a detecção precoce, o acompanhamento e o tratamento dos indivíduos afetados, com especial foco na prevenção da transmissão vertical, que ocorre de mãe para filho. O Pará se destaca por ser o primeiro estado da região Norte e o oitavo do Brasil a implementar uma política pública que favorece o fluxo de atendimento a pacientes amparados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Voltado a profissionais da saúde, o seminário incluiu uma programação recheada de palestras e debates com especialistas da área, que abordaram tópicos cruciais, como a epidemiologia do HTLV, métodos de diagnóstico, estratégias de prevenção e diretrizes para o manejo clínico em gestantes e recém-nascidos. Segundo o farmacêutico Marcus Santos, integrante da Coordenação de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) da Sespa, o evento tem grande importância para capacitar esses profissionais e a sociedade civil em geral, visando a criação de uma rede de atenção integral para os pacientes com HTLV no Pará.
Abertura e Importância do Evento
No início do seminário, o secretário adjunto de Políticas de Saúde, Ivison Carvalho, enfatizou a relevância do conteúdo apresentado, que integra a integralidade do SUS com os serviços destinados aos portadores do HTLV. “Os conhecimentos adquiridos aqui permitirão que os profissionais entendam melhor o fluxo, desde a transmissão até a prevenção”, afirmou Carvalho.
O HTLV é uma infecção identificada desde a década de 1980 e pertence à mesma família do vírus da imunodeficiência humana (HIV), atuando de maneira semelhante ao infectar as células T do organismo. Embora muitos pacientes não apresentem sintomas diretamente relacionados ao vírus, complicações podem surgir como consequência da infecção pelo HTLV.
Transmissão e Sintomas do HTLV
A transmissão do vírus ocorre através de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas e agulhas, transfusões sanguíneas e de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação. Os sintomas que podem se manifestar incluem inchaço dos gânglios, alterações visuais, fraqueza, formigamento nos membros, dores no corpo e, em casos mais graves, leucemia, linfoma, problemas neurológicos e dermatites.
Atualmente, não existe cura para a infecção pelo HTLV. Entretanto, as doenças associadas à infecção podem ser tratadas com o devido acompanhamento médico. A médica infectologista Helena Brígido, uma das palestrantes do seminário, destacou a necessidade de que tanto os profissionais de saúde quanto a sociedade estejam informados sobre as orientações atuais para a prevenção da transmissão vertical. Isso inclui desde a testagem durante a gestação até as condutas no parto e puerpério.
Notificação e Acompanhamento
Desde abril de 2024, a infecção pelo HTLV-1/2 em adultos, gestantes, parturientes, puérperas e crianças com risco de transmissão vertical é de notificação compulsória. Essa notificação deve ser realizada após o diagnóstico, utilizando a ficha de notificação do e-SUS Sinan. As crianças que foram expostas ao vírus precisam ser acompanhadas em Serviços de Atenção Especializada, em conjunto com a Atenção Primária à Saúde.
Entre os palestrantes, o médico infectologista Luiz Fernando Aires Júnior, da Coordenação Geral de Infecções Sexualmente Transmissíveis (CGIST) do Ministério da Saúde, discutiu as políticas públicas voltadas para pessoas diagnosticadas com o HTLV. O seminário também serviu como espaço para debates sobre o cenário estadual e nacional, prevenções, diagnósticos e a rede de cuidados.
Desafios e Ações Necessárias
Com a ausência de uma vacina ou medicação específica, o tratamento deve focar nos sinais e sintomas que surgem. Isso inclui a suspensão da amamentação para lactentes expostos, com orientações e garantias para o uso de inibidores de lactação e fórmulas infantis. A prevenção, por sua vez, enfatiza a informação e o uso de preservativos, além da não partilha de seringas e objetos cortantes.
Dados do Ministério da Saúde indicam que entre cinco a 10 milhões de pessoas estão infectadas no mundo, com aproximadamente 800 mil no Brasil, sendo a prevalência maior em mulheres. Durante a oficina na Sespa, também foram abordadas questões relacionadas à luta por direitos e melhores condições para as pessoas que convivem com o HTLV, com depoimentos de representantes da sociedade civil, como Amélia Garcia, da iniciativa Arte pela Vida, e a promotora de justiça Elaine Castelo Branco, que discutiram a importância da visibilidade e do combate ao estigma.
