O Esporte como Facilitador da Cultura
No último sábado (18), o Parque da Cidade em Belém foi palco do terceiro dia da Semana dos Povos Indígenas. O evento, que promete ser um marco na interação entre diferentes etnias e o público não indígena, trouxe uma programação repleta de atividades esportivas e culturais. O dia foi dedicado a valorizar as práticas esportivas tradicionais dos povos originários, além de modalidades já incorporadas às comunidades locais, reforçando a valorização da ancestralidade e a integração nas relações sociais.
A Secretaria de Estado dos Povos Indígenas destacou que a programação além de celebrativa, possui um caráter formativo. Foram realizadas oficinas e encontros entre lideranças, com foco em capacitação e qualificação de representantes indígenas. Um dos principais destaques foi uma oficina sobre o Sistema Jurisdicional de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (SJREDD+), que visa empoderar as lideranças participantes. Simultaneamente, uma feira de etnobioeconomia e gastronomia ancestral permaneceu aberta, promovendo a valorização de produtos e saberes tradicionais.
O Papel do Esporte na Integração Cultural
As quadras esportivas foram o centro das atenções, com torneios que reuniram participantes de várias etnias, promovendo disputas em modalidades como futebol, futsal, vôlei e cabo de força. A proposta dos organizadores é clara: usar o esporte como uma ferramenta de integração e promoção cultural. A professora Sandra Ferreira, do Núcleo de Esporte e Lazer (NEL), comentou sobre a importância da participação de estudantes da rede pública no evento. “O NEL se dedica ao esporte educacional e nossa presença aqui, a convite da Secretaria dos Povos Indígenas, visa promover a interação entre alunos de escolas públicas e indígenas que fazem parte do evento. Queremos que os estudantes entendam que, apesar das diferenças culturais, todos compartilham raízes comuns”, explicou.
Jogos Tradicionais e suas Adaptações
Além das modalidades esportivas mais conhecidas, a programação incluiu jogos tradicionais das etnias indígenas. Aiteti Gavião, comunicador indígena da Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa), destacou a importância dessas atividades na continuidade e adaptação da cultura indígena ao longo dos anos. “Iniciamos com jogos tradicionais, como arremesso de lança, peteca e corridas. Entretanto, também integramos modalidades como futebol, futsal e até tênis, que foram gradualmente absorvidas pela nossa cultura”, contou. Para Gavião, levar essas práticas para um ambiente urbano aumenta o acesso da população ao conhecimento sobre as culturas indígenas, ressaltando que “muitas pessoas ainda desconhecem os esportes tradicionais. Trazer essas atividades para o Parque da Cidade permite que o público compreenda a importância e a influência dessas práticas nas modalidades mais populares atualmente.”
Um Encontro de Culturas
A diversidade cultural foi um ponto forte do evento, com a participação de diferentes etnias. A coordenadora de gestão ambiental e justiça climática da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), Kalwene Ibiapina, enfatizou o valor do encontro entre os povos. “Estamos com mais de 500 indígenas participando. No Pará, existem mais de 70 povos, cada um com suas culturas ricas e diversas, e muitas vezes eles não têm a chance de se encontrar”, observou. A iniciativa busca fomentar o diálogo e a troca de experiências, não apenas entre os próprios povos indígenas, mas também com a sociedade em geral. “Nosso objetivo é promover essa troca cultural e permitir que o público conheça a diversidade que existe em nosso estado”, finalizou.
Para encerrar a programação do dia, rodas de conversa com artistas e apresentações culturais, incluindo um desfile de moda ancestral, reforçaram o protagonismo indígena e a valorização das identidades tradicionais no mundo contemporâneo. O evento não apenas celebrou o esporte, mas também promoveu um entendimento mais profundo sobre a riqueza cultural dos povos indígenas.
