Iniciativa de Empregabilidade e Sustentabilidade
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Pará dará um passo significativo na próxima terça-feira (5) com a entrega de uma nova fábrica de bloquetes, localizada no Complexo Penitenciário de Marabá, no sudeste do estado. Essa ação faz parte de uma estratégia mais ampla de interiorização do projeto, que já se mostrou eficaz em outras localidades, como Santa Izabel e diversas unidades prisionais no Pará. Atualmente, 40 internos, tanto do regime fechado quanto do semiaberto, estão envolvidos na produção de bloquetes, com uma capacidade de atingir até 70 mil peças mensais, todas destinadas à pavimentação urbana.
O projeto é resultado de uma cooperação conjunta entre a Seap e a prefeitura de Marabá. Enquanto a Seap é responsável pela gestão operacional e segurança, utilizando equipamentos do Programa de Capacitação Profissional (Procap), a prefeitura fornece a infraestrutura necessária e garante os insumos, incluindo materiais reciclados, com o intuito de minimizar os impactos ambientais dessa atividade.
Uma Fábrica com Propósitos Sociais
Leia também: Remo se Prepara para Enfrentar o Águia de Marabá na Copa Norte: Todos os Detalhes
Leia também: Marabá Celebra 113 Anos: Como Mineração e Educação Transformam a Cidade do Pará
O coronel Marco Antônio Sirotheau, titular da Seap, ressalta que a nova unidade representa uma união entre responsabilidade social e eficiência na administração pública. “Estamos dando um passo importante que vai além da simples produção. A fábrica é um avanço estratégico que combina formação profissional com colaboração institucional. Isso não só promove uma execução penal mais humanizada e produtiva, mas também responde a necessidades de infraestrutura da cidade, melhorando a qualidade de vida da população com a pavimentação de suas ruas”, afirmou.
Belchior Machado, diretor de Trabalho e Produção da Seap, também enfatiza a importância do projeto para a empregabilidade dos internos. “Essa é uma chance concreta de transformação social. O conhecimento técnico que eles adquirem aqui não apenas proporciona experiência e disciplina, mas também abre portas reais para a reinserção no mercado de trabalho após o cumprimento das penas”, destacou.
Colaboração e Sustentabilidade
O engenheiro civil da prefeitura de Marabá, Marco Antônio Almeida Tavares, elogia a parceria com o Estado, que torna a produção viável através do fornecimento de insumos e do reaproveitamento de materiais de outras obras. “Essa colaboração não apenas reduz a pegada de carbono, mas também garante que o trabalho dos internos seja marcado por disciplina e produtividade”, afirmou. Segundo Tavares, a produção inicial será direcionada à pavimentação do bairro Liberdade e de agrovilas na região.
Leia também: Águia de Marabá conquista vitória emocionante na estreia da Copa Norte
Leia também: Criação da Secretaria da Mulher em Marabá: Um Passo Histórico para a Igualdade
Ele destacou que o impacto dessa iniciativa vai além da infraestrutura. “Quando um interno começa a produzir materiais que beneficiarão a sociedade, isso ajuda a desfazer o estigma de que eles não podem contribuir. É fundamental que a sociedade também faça a sua parte, oferecendo novas oportunidades para que essas pessoas possam ter uma vida digna, pois o trabalho dignifica o ser humano”, concluiu.
Benefícios Sociais e Economia Pública
Aos participantes do projeto, o trabalho garante um salário mínimo e o benefício da remição de pena, com um dia a menos na pena a cada três dias trabalhados. Para o município de Marabá, essa parceria representa uma economia direta. O engenheiro Marco Antônio Tavares ressaltou que esse modelo não só reduz custos com licitações, mas também diminui encargos sociais, beneficiando a população de forma mais ampla com obras em praças e escolas. O desempenho dos internos, segundo ele, é notável, destacando-se pela organização e disciplina.
Roberto Rivelino Nasário, gerente administrativo da unidade de Marabá, explicou que a seleção dos internos prioriza o bom comportamento, e que o sistema é cíclico, permitindo que, conforme os detentos progridem de regime, novas vagas sejam abertas, assegurando assim a continuidade do aprendizado e da reinserção.
Perspectivas de Futuro
Para os que participam, o projeto representa uma chance de reconstruir suas identidades. Erismar Nunes, de 47 anos, atualmente realizando um curso de Marketing Digital, comentou: “A fábrica nos prepara para um mercado que está em alta. Sinto orgulho de saber que o bloquete que fabricamos aqui melhorará as ruas onde minha família e amigos vivem”.
Por sua vez, Silvânio Lopes, de 50 anos, vê no trabalho uma oportunidade de recuperar a confiança da sociedade. “É uma chance única que nos prepara para voltar e restabelecer a credibilidade diante das pessoas”, afirmou. Mateus Silva, um ex-pedreiro, já planeja seu futuro: “Minha meta é progredir e, ao sair, abrir minha própria fábrica de bloquetes, transformando o que aprendi aqui em um negócio viável”, revelou.
