Recife como Personagem em ‘O Agente Secreto’
Com a chegada do Oscar, a expectativa é palpável no Recife. No filme “O Agente Secreto”, a tecnologia fez da cidade uma personagem crucial, trazendo à tona cenários históricos e uma identidade única.
No longa, um tubarão-tigre, que surgiu na vida real, agora faz parte da narrativa cinematográfica. Após as filmagens, a réplica do tubarão foi doada à Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e rapidamente se tornou uma atração local. “Quando ele foi liberado para ser exposto, todo mundo no laboratório queria ver, tirar foto… Foi um verdadeiro ‘auê’, muito bacana”, conta Mari Rêgo, coordenadora do Núcleo de Estudos Ambientais (NEA) na UFRPE.
A Ambiência Recifense no Cinema
Ambientado inteiramente em Recife, o filme utilizou diversos pontos icônicos da cidade como locações, incluindo o Parque Treze de Maio, o Ginásio Pernambucano e o Cinema São Luiz. A atriz Mariza Moreira, que fez uma participação no filme, relata: “Eu olhava para o meu sapato, via o cigarro, as vitrines, os carros, e misturava memória com o que estava vivendo ali”.
O diretor Kleber Mendonça Filho ressalta a universalidade do Recife: “A cidade está no Oscar da mesma forma que eu vi filmes franceses e americanos. Agora, temos um filme feito em Recife, Pernambuco, sendo exibido mundialmente”. Para ele, a cidade é muito mais do que um pano de fundo; é uma parte essencial da narrativa.
Retrofuturismo Digital
Para recriar a atmosfera da década de 1970, a equipe de produção utilizou tecnologia avançada para transportar a cidade ao passado. Elementos como letreiros nos prédios, o chão das pontes e até ônibus antigos foram recriados digitalmente. “Fizemos pesquisas com fotos e vídeos. Eu organizava esse material e enviava para a equipe de VFX, que tinha base suficiente para construir cenários virtuais e adicionar placas antigas”, explica André Pinto, supervisor de efeitos visuais no set.
A tecnologia não só permitiu a recriação de espaços, mas também abriu novas possibilidades para o Recife. O futuro do cinema, através de filmes como “O Agente Secreto”, já se faz presente na cidade. “É incrível ver como ‘O Agente Secreto’ dá visibilidade a Recife e demonstra que cinema pode ser feito fora dos grandes centros. As pessoas me perguntam se eu acho que o filme vai ganhar o Oscar. Para mim, já ganhou! O reconhecimento que teve é o verdadeiro prêmio”, afirma Alexandre Figueiroa, crítico e professor de cinema.
