Uma Trajetória Marcante na Ciência Brasileira
A pesquisadora Maria Teresa Fernandez Piedade, uma das principais autoridades no estudo dos ecossistemas aquáticos da Amazônia, foi laureada na última quinta-feira (7) com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto, a mais prestigiosa honraria científica do Brasil. A cerimônia, realizada no Rio de Janeiro (RJ), contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e inovação, Luciana Santos, e destacou as contribuições da pesquisadora, vinculada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), para a compreensão das áreas alagadas e da relevância da floresta na manutenção do equilíbrio climático e ambiental.
A ministra Luciana Santos enfatizou que a escolha de Piedade para receber o prêmio não se resume a um reconhecimento individual, mas simboliza a importância estratégica da Amazônia para o futuro do país. “Esta cerimônia representa a vitória de um projeto que valoriza a ciência realizada por brasileiras e brasileiros de todas as regiões”, ressaltou.
Desafios Ambientais e a Relevância da Ciência
Em sua fala, Maria Fernandez Piedade abordou os desafios contemporâneos enfrentados pelas áreas úmidas amazônicas, que estão sob crescente ameaça de incêndios, poluição e grandes projetos de infraestrutura. “A ciência e a educação são os caminhos cruciais para guiar decisões que se fazem necessárias neste cenário”, advertiu a pesquisadora.
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Fonte: amapainforma.com.br
O Prêmio Almirante Álvaro Alberto, instituído em 1981, homenageia o criador e primeiro presidente do CNPq, Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, que foi um defensor fervoroso do desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil. O presidente do CNPq, Olival Freire Junior, ao fazer uso da palavra, enfatizou que o legado do Almirante continua relevante, demonstrando que o progresso do país depende do fortalecimento da ciência e da tecnologia.
Cerimônia Repleta de Reconhecimentos
A cerimônia não se limitou apenas à entrega do prêmio; também foram diplomados novos membros titulares e correspondentes da Academia Brasileira de Ciências, que se prepara para celebrar 110 anos de atuação em 2026. Além disso, títulos de Pesquisador Emérito e Menções Especiais de Agradecimento foram concedidos a pesquisadores e personalidades que contribuíram significativamente para o desenvolvimento científico nacional.
O chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Corrêa, representando a Marinha do Brasil, declarou a importância de investir em ciência, tecnologia e formação de pessoal como pilares para a soberania e desenvolvimento do país. “Soberania robusta não é possível sem uma base científica sólida. Não existe autonomia estratégica sem pesquisa e inovação de qualidade”, ressaltou.
Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI)
Durante o evento, a ministra Luciana Santos apresentou a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024–2034, um documento que guiará as políticas públicas do setor na próxima década. Segundo Santos, essa estratégia representa “um compromisso de Estado com o futuro do Brasil”.
Elaborada a partir das diretrizes da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que mobilizou cerca de 100 mil cidadãos pelo Brasil, a ENCTI reúne contribuições de diversos setores, incluindo governo, academia e sociedade civil. O documento visa transformar conhecimento em soluções práticas, priorizando inclusão, sustentabilidade e soberania nacional.
A estratégia é dividida em quatro eixos principais: expansão e integração do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação; reindustrialização em novas bases; projetos estratégicos para a soberania nacional; e CT&I voltada para o desenvolvimento social. Um dos desafios apontados é elevar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para 2% do PIB até 2034, além de garantir uma previsibilidade orçamentária robusta.
Comemorações e Contribuições Finais
Luciana Santos também celebrou os 110 anos da Academia Brasileira de Ciências, ressaltando a relevância de instituições sólidas e comprometidas com o futuro do Brasil. “Celebrar esses 110 anos é reconhecer este legado”, finalizou.
A cerimônia teve a participação de representantes de diversas instituições científicas e de fomento à pesquisa, reforçando a importância da colaboração entre os setores para o avanço da ciência no país.
