Um Show de Memórias e Homenagens
O mururé, planta aquática emblemática da Amazônia, empresta seu nome ao cantor e compositor paraense Paulinho Mururé, que se apresenta nesta sexta-feira (17) na Casa Apoena, em Belém. Este evento vai muito além de um simples show; é uma celebração de 35 anos de carreira musical. Aos 67 anos, Paulinho revisitará suas canções e contará com a presença de grandes parceiros, como Edilson Morenno, Pedrinho Callado, Puka Dias e Renato Lu, que prometem abrilhantar ainda mais essa noite dedicada à música amazônica.
Nomeado “Caminhando e Cantando (35 anos de estrada)”, o evento será uma verdadeira viagem pela trajetória do artista, que tocará composições de seus álbuns “Cria”, lançado em 2013, e “Cores da Amazônia”, previsto para 2025. O repertório incluirá ritmos variados, como Música Popular Brasileira (MPB), Música Popular Paraense (MPP), Bossa Nova, samba e suas compostas autorais. Ele estará acompanhado por uma talentosa banda composta por Davi Amorim, Jonatas Gouveia, Celso Vaughan, Gugu Batera e Zé Delapaz.
Canções que Retratam a Vida na Amazônia
As letras de Paulinho Mururé são um retrato da vida do caboclo amazônico, refletindo a realidade e as vivências dos moradores paraenses. Em Belém, ele é uma figura carismática, conhecido por sua ligação com a comunidade do bairro do Guamá, onde coordena o bloco Chulé de Pato, que já conta com 25 anos de tradição no Carnaval, programado para 2026.
Com uma carreira recheada de apresentações em diversos municípios do Pará, Paulinho tem sua obra profundamente ligada ao povo do Arquipélago do Marajó, no norte do Estado. O artista se destacou em barzinhos, casas de shows e teatros em Belém, sempre recebendo calorosas recepções do público, que reconhece seu valor e autenticidade.
Parcerias e Influências Musicais
No cenário musical paraense, Paulinho Mururé é conhecido por suas parcerias com renomados artistas, como Nilson Chaves, Puka Dias, Sérgio Leite, Pedrinho Callado, Zé Miguel, Osmar Junior, Eudes Fraga e Vetinho. Essas colaborações enriquecem seu trabalho e ampliam sua conexão com a música da região.
Paulinho revela que sua paixão pela música começou ainda na infância. Com apenas cinco anos, ele se aventurava a cantarolar nas tabernas da cidade. Com o passar dos anos, sua carreira eclodiu, e aos 12 anos ele já conquistava prêmios em festivais de música, competindo com adultos. Influenciado por grandes nomes, como Benito di Paula e Cartola, sua trajetória é marcada por um aprendizado contínuo e uma devoção à arte.
A Aprendizagem Através da Música
O legado musical de Paulinho é também influenciado por seu pai, Metokina, poeta e compositor, que lhe ensinou a valorizar a música desde cedo. Com cerca de 80 composições em seu repertório, Paulinho é responsável por músicas como “Acorda Belém”, que retrata a vida dos trabalhadores do Ver-o-Peso e ganhará uma regravação em um próximo CD, com participação de Nilson Chaves. Outra canção, “Tardes de Belém”, também promete reunir talentos como Sérgio Leite e Ronaldo Silva. Sua obra ainda inclui “Taperebá”, escrita por seu irmão, Puka Dias, e a homenagem “Pérola do Marajó”, dedicada à cidade de Soure.
Reconhecendo a importância desse marco em sua carreira, Paulinho Mururé reflete sobre suas experiências: “Completar 35 anos de música é um momento de alegria e aprendizado. Nunca tive aulas formais, aprendi observando e tocando em um violãozinho velho. A música me escolheu, e sempre tive a vontade de ser artista desde pequeno. A música me guiou até aqui”, expressa emocionado, enquanto se prepara para celebrar essa trajetória com amigos e admiradores.
