Nova Era para o PIT em Teresina
O histórico prédio da antiga Águas e Esgotos do Piauí (Agespisa), localizado na Avenida Marechal Castelo Branco, no Centro-Norte de Teresina, está prestes a ganhar uma nova função. O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), revelou na última terça-feira (14) que o edifício se tornará a nova sede do Piauí Instituto de Tecnologia (PIT). Durante uma entrevista ao programa Bom Dia Piauí, da TV Clube, o gestor anunciou a decisão, que marca uma nova fase para a instituição.
Atualmente, o PIT opera em instalações na Escola de Tecnologia Engenheiro Sampaio, situada na Avenida Campos Sales, na região Centro-Sul da capital. Consultada pela reportagem do g1, a assessoria de imprensa do PIT informou que ainda não há uma data prevista para a inauguração do novo espaço, que passará por reformas antes de receber alunos e professores.
Rafael Fonteles também comentou sobre o futuro da instituição, mencionando que um novo processo seletivo está programado para ocorrer no segundo semestre deste ano, com as aulas do novo local previstas para iniciar no primeiro semestre de 2027. “O foco maior será em cursos tecnólogos de ensino superior, com duração de dois a três anos, voltados para as demandas de mercado nas áreas de agrotécnica, agroindústria e economia digital. Entretanto, teremos diversas outras modalidades de ensino disponíveis”, destacou o governador.
Oportunidades de Ensino na Nova Sede
Atualmente, as opções de cursos oferecidos pelo PIT incluem bacharelados em inteligência artificial e tecnologia em inteligência artificial, com as aulas do semestre 2026.1 iniciadas em fevereiro. Essa ampliação de espaço e recursos é uma resposta às necessidades crescentes no setor de tecnologia.
A extinção da Agespisa ocorreu em julho de 2025, após a concessão dos serviços de água e esgoto do Piauí ser adquirida pelo grupo empresarial Aegea. Este mesmo grupo, que já controla a Águas de Teresina, investiu R$ 1 bilhão em um leilão realizado em outubro de 2024 para assegurar o contrato de concessão, que se estenderá por 35 anos, até 2059. Desde maio de 2025, a Águas do Piauí assumiu a responsabilidade de gerir os serviços de água e esgoto em 221 das 224 cidades do estado, uma mudança significativa para a infraestrutura local.
Impacto para os Servidores da Agespisa
Com a transição da Agespisa, o Governo do Piauí lançou um Plano de Desligamento Voluntário (PDV) para os servidores, oferecendo uma indenização baseada em 12 vezes o último salário, com um teto de R$ 300 mil. No entanto, a Justiça do Trabalho determinou que os 236 servidores que optaram por não aderir ao PDV e foram demitidos deveriam receber os salários correspondentes a novembro, dezembro e o 13º salário de 2025.
De acordo com o Sindicato dos Urbanitários do Piauí (Sintepi), todos os salários devidos foram quitados pela gestão estadual, mas o sindicato considera as demissões “arbitrárias”. Francisco Ferreira, vice-presidente da entidade, alegou: “Há uma lei que assegura a incorporação de nossos cargos à Empresa de Gestão de Recursos do Piauí (Emgerpi), no entanto, o governo procedeu com as demissões sem diálogo.”
A legislação mencionada, a Lei Estadual 83/2007, determina que os funcionários de órgãos extintos devem ser integrados aos quadros da Emgerpi. Contudo, a administração estadual solicitou à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) a alteração de um parágrafo do projeto de lei que extinguiu a Agespisa, impedindo assim a incorporação dos servidores.
O Sintepi já ajuizou uma ação civil pública na Justiça do Trabalho visando reverter as demissões. A reportagem do g1 entrou em contato com a Secretaria de Administração do Piauí (Sead) para solicitar um posicionamento oficial sobre a situação e aguarda um retorno.
Com a transformação do espaço da Agespisa e a criação da nova sede do PIT, a expectativa é que o Piauí avance significativamente na área de tecnologia e educação, preparando os alunos para um mercado de trabalho cada vez mais exigente.
